janeiro, 2007

31

jan

Personagem: Américo Brasiliense

Am√©rico Brasiliense de Almeida Melo nasceu no Rio de Janeiro em 08/08/1833, e em 1855 formou-se pela Faculdade de Direito de S√£o Paulo. Foi deputado provincial de 1858 a 1867, exercendo tamb√©m o cargo de Presidente da Para√≠ba e do Rio de Janeiro. Com Luiz Gama e Am√©rico de Campos fundou a Loja Ma√ß√īnica Am√©rica, passando a fazer propaganda abolicionista e republicana, e com Saldanha Marinho, Aristides Lobo e outros, participou da elabora√ß√£o do Manifesto Republicano de 1870.

Residiu em Campinas de 1870 a 1874, participando ativamente do processo de criação do Culto à Ciência, bem como de muitas outras atividades importantes para a propaganda republicana. Foi também Ministro Plenipotenciário de Estado junto ao governo de Portugal e presidente de São Paulo por poucos mêses, em 1891.

√Č nome de rua em Campinas.

30

jan

Memória Fotográfica: 1946 РCine Colyseu

Esta foto de 1946, mostra o portal de entrada principal do Cine Colyseu que existiu na rua C√©sar Bierrembach. Esta casa de espet√°culo come√ßou com apresenta√ß√Ķes de touradas e acabou por exibir filmes mudos e sonoros. V√™-se ainda ao fundo na foto as palmeiras imperiais da Pra√ßa Carlos Gomes. Esta j√° n√£o existe mais…√© s√≥ passado na mem√≥ria fotogr√°fica.

28

jan

Not√≠cias de…: 1834

Em 9/12/1834, o Largo Santa Cruz, foi palco de um triste espet√°culo de enforcamento, justi√ßando-se √† pena √ļltima o r√©u Elesb√£o, acusado de crime de morte, acusado de assassinar seu senhor. Foi enforcado, e o corpo esquartejado e exposto ao p√ļblico. Foi l√ļgubre o acontecimento, agitando os moradores da pacata Villa de Sao Carlos.

Largo Santa Cruz (um dos tres campinhos que deu origem a cidade); ponto de partida para os sert√Ķes de Alto Goi√°s e Mato Grosso. Parada obrigat√≥ria, com lojas de ferragens, armaz√©ns de g√™neros de terra e de bebidas, olarias e dep√≥sitos para venda no varejo e atacado. O Largo Santa Cruz tem hoje o nome de Pra√ßa 15 de Novembro e fica no bairro Cambu√≠.

27

jan

Curiosidades: Hist√≥ria da √Āgua em Campinas

Inspirado no livro “Campinas do Matto Grosso – Da febre amarela √† c√≥lera dos rios”, de Jos√© Pedro Martins, editado em 1997, tem-se o que se segue.

Campinas foi formada a partir de n√ļcleos urbanos que se desenvolveram √†s margens de rios. No caso de Campinas, os tr√™s “campinhos” que deram origem √† cidade tamb√©m floresceram √†s margens de rios ou c√≥rregos.

Aquele “campinho” que foi provavelmente o primeiro n√ļcleo de povoa√ß√£o, localizado onde atualmente termina a av. Moraes Salles, no cruzamento com a Via Norte-Sul (hoje Av. Jos√© de Souza Campos), era banhado originalmente pelo C√≥rrego Lavap√©s, atual C√≥rrego Proen√ßa. Era o “campinho” mais pr√≥ximo do Caminho de Goi√°s, a rota dos bandeirantes rumo ao Eldorado brasileiro.

J√° o “campinho” que originou o Largo do Carmo, onde a cidade nasceu “oficialmente”, era por sua vez banhado pelo C√≥rrego Tanquinho, que nascia nas proximidades do atual Largo do Par√°, acompanhava o sentido da Rua de Cima (atual Bar√£o de Jaguara) e descia, em dire√ß√£o √† atual av. Anchieta, at√© encontrar-se com o C√≥rrego do Barbosa, depois do Serafim e hoje da Orosimbo Maia. O C√≥rrego Tanquinho tamb√©m passava pr√≥ximo do terceiro “campinho”, no Largo da Santa Cruz (hoje Pra√ßa 15 de Novembro), usado para enforcamentos de escravos no final do s√©culo XIX.

A foto da década de 1920, mostra o córrego do Serafim, hoje córrego da Orosimbo Maia

Todos os tr√™s cursos d’√°gua, fundamentais para alicer√ßar o crescimento da cidade, foram v√≠timas do chamado progresso a qualquer pre√ßo. O desaparecimento de dois deles, o C√≥rrego Lavap√©s (hoje Proen√ßa) e o Tanquinho, debaixo do asfalto de grandes avenidas, √© um dos s√≠mbolos m√°ximos de como a natureza foi deixada em segundo plano no processo de “desenvolvimento” de Campinas.

E as agress√Ķes aos rios t√™m a pr√≥pria idade do espa√ßo urbano. O C√≥rrego Tanquinho, principalmente, o primeiro que conviveu diretamente com o n√ļcleo urbano formado a partir das ruas de Cima, do Meio e de Baixo, desde cedo passou a receber esgotos, lan√ßados naturalmente sem tratamento. O C√≥rrego sofria, igualmente, os impactos dos res√≠duos depositados a c√©u aberto em dois dos tr√™s lix√Ķes que existiam em Campinas at√© o in√≠cio do s√©culo XX, no atual Largo do Par√° e na Pra√ßa Carlos Gomes. (O terceiro lix√£o ficava onde hoje funciona o Mercad√£o.)

Atual C√≥rrego da Orosimbo Maia, em fun√ß√£o da avenida do mesmo nome, o C√≥rrego do Barbosa foi por muito tempo o limite do centro urbano de Campinas. Com o avan√ßo da cidade em dire√ß√£o ao Norte e ao Oeste, o C√≥rrego passou a receber os esgotos urbanos, e no final do s√©culo XIX passou a ser conhecido como Canal de Saneamento – em decorr√™ncia da febre amarela, foi o local escolhido para a instala√ß√£o do primeiro filtro de esgotos da cidade, patrocinada pelo governo estadual de Ant√īnio Pinheiro de Ulhoa Cintra, o Bar√£o de Jaguara.

Nenhum dos tr√™s c√≥rregos, em raz√£o da degrada√ß√£o precoce, vai acabar fornecendo √°gua para o abastecimento de Campinas, √† exce√ß√£o de um projeto muito limitado, de capta√ß√£o no C√≥rrego Tanquinho, proposto em 1873 pelo vereador Raphael Sampaio e inaugurado dois anos depois, atendendo a moradores no quadril√°tero entre as avenidas Francisco Glic√©rio, Regente Feij√≥, Aquidab√£ e Uruguaiana. At√© meados do s√©culo XIX a popula√ß√£o se servia, de modo geral, nas bicas, que deram origem ao of√≠cio do “aguateiro”. Era o profissional que recolhia a √°gua das bicas e vendia para a popula√ß√£o.

Em 1855, como medida preventiva √† propaga√ß√£o da epidemia de c√≥lera que atacava v√°rios pontos do territ√≥rio brasileiro, a C√Ęmara Municipal de Campinas divulgou uma s√©rie de medidas sanit√°rias, v√°rias delas relacionada ao cuidado com a √°gua.

Dois anos depois, a mesma C√Ęmara solicita, atrav√©s de seu presidente, Luiz Henrique Pupo de Moraes, √† Assembl√©ia Legislativa Provincial, recursos para financiar a instala√ß√£o de um chafariz. A 12 de agosto de 1858, a Tesouraria Provincial expede um of√≠cio, comunicando a libera√ß√£o para Campinas de “oito contos de r√©is, sendo seis contos para serem aplicados na constru√ß√£o de um chafariz”, o que apenas ocorreria em 1873.

Na realidade, seriam construídos três chafarizes de ferro, colocados no Largo do Pará, Largo do Teatro (hoje Praça Rui Barbosa) e Largo do Rosário. Eles começaram a funcionar a 11 de dezembro de 1874.


Acima foto de 1904 mostra o chafariz de ferro no Largo do Ros√°rio

ABASTECIMENTO E EPIDEMIA

Depois da inaugura√ß√£o dos chafarizes, somente em 1885 aparece o primeiro Projeto de Abastecimento de √Āgua para a Cidade de Campinas, de autoria do engenheiro Ant√īnio Francisco de Paula Souza. O projeto foi o embri√£o do funcionamento da Companhia Campineira de √Āguas e Exgottos, criada a 5 de julho de 1887.

Foto de 1916 mostra um dos reservat√≥rios da Companhia Campineira de √Āguas e Exgottos

Os s√≥cios da empresa eram o coronel Joaquim Quirino dos Santos, Bento Quirino dos Santos, o pr√≥prio Paula Souza e o engenheiro ingl√™s Roberto Normanthon. O especialista ingl√™s seria o respons√°vel pelo projeto de capta√ß√£o de √°gua finalmente escolhido para Campinas, e que n√£o vai seguir as recomenda√ß√Ķes de Paula Souza.

Pelo projeto de Normanthon, seriam captadas as √°guas dos ribeir√Ķes Iguatemi e Bom Jesus, a 18 km do centro de Campinas, na ent√£o Vila de Rocinha. O bairro depois passou a pertencer a Vinhedo, e o sistema de abastecimento foi repassado √† Prefeitura de Valinhos.

Com a febre amarela que atingiu a cidade em 1889, √© apressada a constru√ß√£o do sistema de abastecimento, inaugurado a 2 de janeiro de 1891, pelo j√° prefeito Ant√īnio √Ālvares Lobo (com a Proclama√ß√£o da
Rep√ļblica, o Executivo Municipal que cabia √† C√Ęmara passa para as m√£os do intendente, precursor do atual prefeito).


Casa de aferição do nível do reservatório existente até hoje na av. Abolição

Subterr√Ęneos da mesma esta√ß√£o de tratamento de √°gua da av. Aboli√ß√£o

Os efeitos da febre amarela, que esvazia a cidade no final do século XIX, fazem com que o sistema da Rocinha seja suficiente para o abastecimento de Campinas até a segunda década do século XX. A ampliação do sistema de abastecimento, para atender ao novo surto de crescimento a partir da década de 1920, será feita já com a Companhia Campineira municipalizada, a 7 de dezembro de 1923.

Estudos para a ampliação do próprio Sistema Rocinha foram de fato realizados, pelo engenheiro Egydio Martins, a pedido do prefeito Miguel de Barros Penteado. Mas os projetos são abandonados, sendo então analisados os planos de captação no rio Atibaia, que já tivera um papel importante para Campinas, na movimentação dos primeiros engenhos de cana no século XVIII.

Um primeiro projeto, de Augusto de Figueiredo, foi melhorado pelo pr√≥prio Egydio Martins, e finalmente assumido por uma Comiss√£o Especial da C√Ęmara Municipal, encarregada de discutir e decidir sobre o novo sistema de abastecimento de √°gua, considerado estrat√©gico para sustentar o crescimento futuro de Campinas.

Em 1934, a Comiss√£o Especial emite o seu parecer, dando-se in√≠cio √† implanta√ß√£o do sistema, baseado na capta√ß√£o e adu√ß√£o inicial de 10 milh√Ķes de litros. Um reservat√≥rio seria constru√≠do no bairro Cruzeiro, de onde a √°gua seria distribu√≠da por gravidade para as √°reas baixas do Fund√£o, Vila Maria, Vila Marieta e Vila Para√≠so. Tamb√©m haveria sub-adutoras para o Chapad√£o e a Ponte Preta, cujo reservat√≥rio j√° recebia as √°guas da Rocinha.

A inaugura√ß√£o do novo sistema aconteceu em 1936, viabilizando o grande crescimento da cidade nas d√©cadas de 1940 a 1970, mas j√° na √©poca Campinas perdeu a oportunidade de instala√ß√£o concomitante de um sistema de esgotos, que chegou a ser examinado pela mesma Comiss√£o Especial da C√Ęmara, mas n√£o foi concretizado por falta de recursos e de alguma vontade pol√≠tica.

Depois, com o crescimento exagerado nas d√©cadas 1950 a 1980, todos recursos existentes passaram a ser investidos na amplia√ß√£o do sistema de distribui√ß√£o de √°gua. Al√©m disso, os recursos dispon√≠veis estavam concentrados, durante o regime militar inaugurado em 1964, na esfera do Sistema BNH e das empresas estaduais de saneamento. Isso tudo, aliado ao mito pol√≠tico de que “dinheiro investido embaixo da terra n√£o d√° voto” (no caso obras com tratamento de esgotos), resultou em um atraso de mais de 60 anos para a instala√ß√£o de um sistema de tratamento de esgotos urbanos, em Campinas e regi√£o, e a consequ√™ncia √© o que se v√™ hoje.

26

jan

Personagem: Orosimbo Maia

Orosimbo Maia (campineiro, nascido em 1862) fundador do Col√©gio Progresso Campineiro e com passagens pela C√Ęmara Municipal como vereador; foi grande incentivador das reformas urbanas, atrav√©s das quais tentou imprimir uma marca na hist√≥ria da cidade.

Membro do Partido Republicano Paulista, Orosimbo Maia (Membro do Partido Republicano Paulista ) foi o primeiro prefeito de Campinas ao tomar posse em janeiro de 1908. Com esp√≠rito inovador, Orosimbo Maia inaugurou o Mercado Municipal em 12/04/1908, numa √©poca em que a cidade tinha 35 mil habitantes e 5 mil edifica√ß√Ķes.

Nos relatórios anuais publicados pela Prefeitura notou-se uma crescente preocupação, a partir da década de 1920, em controlar o crescimento urbano da cidade, bem como, em proporcionar sua modernização, para que estivesse compatível com a intensificação da vida urbana. Para isso, uma série de medidas foi tomada, especialmente na gestão do prefeito Orosimbo Maia (segundo mandato em 1926 a 1930) Рtambém grande incentivador do plano de urbanismo. Reorganizou e ampliou a então denominada Repartição de Obras que passou a chamar-se Repartição de Obras e Viação.


Orosimbo Maia é destituído após a capitulação do movimento revolucionário de 1932 e substituído por algumas horas pelo tenente-coronel Elias Coelho Cintra em 1/10/1932 e nesse mesmo dia por Alberto Cerqueira Lima que permaneceu até 7/9/1933.

√Č nome de importante avenida em Campinas onde existe um busto em sua homenagem e que foi inaugurado em 1950.


Faleceu em 19/04/1939 e foi enterrado no t√ļmulo, da foto acima, no Cemit√©rio da Saudade.