Dia Mundial de Prevenção ao Suicídio

Por Dr. Lísias Castilho em 11/09/2017

O dia 10 de setembro é o Dia Mundial de Prevenção ao Suicídio. Além da ampla divulgação de números sobre o suicídio no mundo, discutem-se medidas preventivas e estudam-se os principais subgrupos populacionais que estão sob maior risco e demandam maior atenção do Estado, dos educadores e das famílias.

Entre 800 mil e 1 milhão de pessoas se matam por ano. Alguns milhões de indivíduos tentam o suicídio, sem sucesso, e ficam, às vezes, mutilados, ficam sempre perturbados emocionalmente e socialmente estigmatizados. O suicídio é um tema riquíssimo em Saúde Pública, Psiquiatria, Sociologia, Antropologia, Medicina Social e Psicanálise.

No livro intitulado Os sofrimentos do jovem Werther, Goethe descreveu o sofrimento de um jovem apaixonado por uma mulher casada. Em cartas sequenciais, o jovem vai se convencendo de que a única saída para seu impasse existencial é a morte, que termina por acontecer, pela via do suicídio. O livro fez tanto sucesso, que levou à morte por suicídio dezenas, talvez centenas, de jovens europeus. Nos anos 1970, o sociólogo David Phillips cunhou o termo “efeito Werther” para descrever o fenômeno social e global de suicídios em série depois da divulgação do suicídio de uma pessoa de destaque, especialmente entre os jovens. Esse fenômeno existe, comprovadamente, mais ainda agora, graças aos meios de comunicação social on-line de que dispomos.

O suicídio pode ocorrer em qualquer idade, em ambos os sexos, até em crianças, mas é muito mais comum entre pessoas depressivas e entre os dependentes químicos. Geralmente, o suicídio é anunciado, às vezes sutilmente, outras vezes escancaradamente. Amigos, familiares e professores são os primeiros a detectar os primeiros sinais e sintomas do potencial suicida. Devem agir rapidamente e sob a orientação de um psiquiatra. Serviços como o que presta o CVV (Centro de Valorização da Vida – ligue 141) e por outros grupos de ajuda (por meio de telefone, e-mail ou chat) são de valor inestimável e salvam vidas todos os dias. São gratuitos e estão disponíveis 24 horas por dia.

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Quando o coração envelhece mais depressa do que deveria

Por Dr. Lísias Castilho em 04/09/2017

O envelhecimento é assimétrico. Às vezes somos jovens com esqueletos de velhos. E vice-versa, mais raramente. Outras vezes, por conta de um passado de muita exposição solar, temos peles manchadas, enrugadas e feias, ainda que com pouca idade. Algumas pessoas muito idosas têm mentes extraordinariamente jovens, coisa de fazer inveja a qualquer um. Assim também o coração, pode ser mais velho do que deveria, por variadas razões.
A doença do coração ainda é a principal causa de morte em todo o mundo. Em alguns países, como no Reino Unido, ela é a primeira causa de morte em homens e a segunda em mulheres. Em algumas regiões desenvolvidas do planeta, o câncer mata mais do que o coração, mas por muito pouco. No Brasil, o acidente vascular – infarto do miocárdio e acidente vascular cerebral – é a principal causa de morte não-violenta em adultos.
Muitas pessoas têm corações muito mais velhos do que suas idades cronológicas. Isso decorre de uma predisposição genética ou, principalmente, de um estilo de vida que lesa o coração, tornando-o mais fraco e mais vulnerável. Na Inglaterra foi feito um estudo extenso sobre este tema, envolvendo 33 mil homens com 50 anos de idade ou mais, pelo Serviço de Saúde Pública. Desse estudo saíram algumas recomendações práticas:
1-Parar de fumar
2-Fazer exercícios regularmente
3-Controlar o peso
4-Comer mais fibras vegetais e menos gorduras
5-Reduzir o sal na comida
6-Comer mais peixe e menos carne
7-Beber pouco álcool
8-Fazer medidas periódicas da pressão arterial (há muitos hipertensos que não sentem nada e vão pagar a conta no futuro)
Essas recomendações estão ao alcance de quase todas as pessoas e não são caras. Se isso é verdade na Inglaterra, com certeza é verdade aqui também. Isso evita, com absoluta certeza, o envelhecimento acelerado do coração.

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Deficiência Androgênica do Envelhecimento Masculino (DAEM)

Por Dr. Lísias Castilho em 04/09/2017

Alguns homens, mesmo jovens, podem apresentar sintomas e sinais estranhos, que levam a uma importante redução da qualidade de vida – aumento da gordura abdominal e visceral (por fora e por dentro da parede abdominal), diminuição da massa e da força muscular, redução do desejo sexual e do desempenho, redução dos reflexos e do raciocínio cognitivo, perda de memória, depressão, insônia, transpiração excessiva mesmo quando está frio, diminuição da sensação de bem-estar e deficit de atenção. Isso se acompanha do aumento das gorduras do sangue (perfil lipídico) e da diminuição da eficácia da insulina produzida pelo pâncreas, ao que se dá o nome de resistência periférica à insulina, com o consequente aumento do açúcar no sangue.
A esse conjunto de sinais e sintomas se dá modernamente o nome de Deficiência Androgênica do Envelhecimento Masculino (DAEM), que tem outros nomes menos apropriados para o nosso meio, como andropausa, Hipogonadismo Masculino Tardio (HMT), Late Onset Hypogonadism (LOH), Androgen Deficiency in the Aging Male (ADAM) e outros. Os melhores nomes são DAEM, em português, e LOH, em inglês.
Ainda que o envelhecimento, pura e simplesmente, leve à redução da testosterona circulante em todos os homens, que é o principal hormônio masculino, já a partir dos 40 anos de idade, de modo algum a DAEM deva ser considerada como um fenômeno inevitável. Trata-se de doença, que se pode tratar e prevenir.
Essa doença ocorre por redução acentuada dos hormônios sexuais masculinos produzidos pelos testículos. Esse quadro clínico é reversível, na maior parte dos casos, por meio de exercícios físicos regulares, dieta apropriada e perda de peso. Eventualmente, também, por meio da administração de medicamentos. Em casos raros, com atrofia de ambos os testículos, há necessidade de reposição hormonal permanente com testosterona, que existe na forma de injeções intramusculares, desodorante axilar e gel para passar na pele. Todo caso de DAEM pode ser tratado com sucesso.

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A cirurgia robótica é melhor do que a cirurgia convencional?

Por Dr. Lísias Castilho em 30/08/2017

Há 15 anos no mundo e há 10 anos no Brasil, o robô para cirurgia laparoscópica está em franca ascensão no mercado. Todo hospital quer comprar um. Todo cirurgião gostaria de usá-lo. Já temos no Brasil 32 robôs, que servem para auxiliar cirurgia de cabeça e pescoço, cirurgia ginecológica, cirurgia cardíaca e, principalmente, cirurgia da próstata. Nos Estados Unidos, há cerca de 3 mil robôs instalados e funcionando em 2017.
O que pode fazer um robô numa cirurgia? A resposta é simples: absolutamente nada. Quem faz é o cirurgião. O robô é apenas uma ferramenta. Se o cirurgião é ruim, a cirurgia com robô fica ruim. Já ocorreram mortes causadas por cirurgiões manipulando mal um robô. Culpa do robô? Claro que não. Culpa do cirurgião. Se o cirurgião é bom, o robô o ajuda muito, dando-lhe uma visão tridimensional, precisão de movimentos e conforto. Engana-se aquele que pensa que o robô é o responsável por melhores resultados. Isso não acontece com o modelo de robô cirúrgico – o Da Vinci, monopólio de uma indústria americana –, que temos atualmente. Os bons resultados são fruto de treinamento do cirurgião, que aperfeiçoa sua boa técnica com a ajuda do robô.
Espera-se, todavia, um modelo futuro de robô, com inteligência artificial, apto a realizar com perfeição uma cirurgia para a qual foi programado. Muito provavelmente, o melhor cirurgião do hospital do futuro será um robô deste tipo. Por ora, temos que nos contentar com um robô desprovido de inteligência, não programado para fazer movimentos independentes, não programado para corrigir a tempo as manobras equivocadas do cirurgião e de altíssimo custo.
O melhor cirurgião do presente é aquele que estuda, que treina e que se prepara para fazer a cirurgia, com ou sem o robô. O robô não faz de um mau cirurgião um ás da cirurgia.

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Segunda opinião

Por Dr. Lísias Castilho em 21/08/2017

Quando um médico indica uma cirurgia qualquer, pequena ou grande, ou um tratamento de alta complexidade, como radioterapia, quimioterapia e diálise, o paciente deveria buscar uma segunda opinião médica, da mesma especialidade. Isso não é de modo algum ofensivo ao médico que indicou o tratamento pela primeira vez e não deveria suscitar qualquer prurido em qualquer das partes, médico e paciente. Também o médico que emitirá a segunda (ou terceira) opinião, não deveria se sentir pressionado ou constrangido. Bons profissionais apreciam a busca da segunda opinião para estabelecerem com mais embasamento sua conduta profissional. A segunda opinião é uma medida que só beneficia a boa prática médica, evitando fraudes e desperdícios, tanto no serviço público como no privado. De modo algum o serviço privado está isento de fraudes e tratamentos desnecessários.
No Brasil, como em outros países, há boas e más indicações de tratamento clínico ou cirúrgico. Há também desperdícios e fraudes. A Escola Nacional de Seguros (Funenseg) e o Instituto de Estudos de Saúde Suplementar (IESS) apresentaram recentemente dados relativos a 2015 e 2016, demonstrando que, no Brasil, há gastos de cerca de 20 bilhões de reais por ano com procedimentos cirúrgicos desnecessários, exames inúteis ou fraudes. No Hospital Beneficência Portuguesa de São Paulo, por exemplo, estimou-se que 60% das cirurgias de coluna no Brasil são desnecessárias. Lá existe um serviço gratuito de segunda opinião em casos que tenham indicação de cirurgia de coluna. De cada 10 pacientes que lá se consultam, 6 são aconselhados a não se submeterem às cirurgias propostas por seus respectivos ortopedistas.
Bons profissionais ficam satisfeitos quando seus pacientes buscam uma segunda opinião. Maus profissionais se sentem ofendidos com isso. Este já é um critério central para que se escolha o médico que efetuará seu tratamento.

 

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A disparada da AIDS entre jovens no Brasil

Por Dr. Lísias Castilho em 15/08/2017

Dados divulgados pelo Departamento de DST, Aids e hepatites virais, do Ministério da Saúde, mostram que a infecção pelo vírus HIV, o vírus da AIDS, cresceu muito no Brasil entre 2006 e 2015 entre os jovens, principalmente homens homossexuais, entre 15 e 29 anos, enquanto que em outras faixas etárias ficou estável ou diminuiu. O crescimento mais impressionante foi entre jovens entre 15 e 19 anos, cerca de 190%.
As razões desse crescimento decorrem de desinformação, desconhecimento do passado, aumento do uso de drogas injetáveis e descaso para com as medidas preventivas, entre várias outras. As entrevistas com os jovens mostram, ainda, que o tremendo medo da AIDS diminuiu. Os jovens acham que há tratamento eficaz e que a infecção não é “assim tão fácil de pegar”. Ledo engano.
Em quase todos os países desenvolvidos há uma notória redução do número de casos novos de infecção pelo HIV, o que aponta para uma extinção da AIDS no planeta nos próximos 15 a 20 anos. O Brasil e alguns outros países em desenvolvimento da América do Sul estão na contramão do que ocorre no Primeiro Mundo. O Brasil já vem dando sua contribuição negativa para o mundo, que já desistiu de extinguir a AIDS até 2030, como projetado. Os números brasileiros vão obrigar as autoridades sanitárias internacionais a rever suas metas.
Entre as possíveis soluções para combater a AIDS entre os jovens brasileiros, cito algumas:
1-Educação sexual de qualidade: na família, na escola, na igreja, no clube e na mídia social
2-Combate rigoroso às drogas lícitas e ilícitas, na família, principalmente
3-Disponibilização gratuita de preservativos, métodos contraceptivos e seringas descartáveis para os adolescentes e adultos jovens
4-Tratamento dos grupos de risco com PEP (profilaxia pós-exposição) e PreP (profilaxia pré-exposição)

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Movimento antivacina – certo ou errado?

Por Dr. Lísias Castilho em 04/08/2017

A primeira vacina humana que existiu foi a vacina contra a varíola, no século XVIII, com Jenner, na Inglaterra. É bem provável que ele tenha se aproveitado da experiência chinesa com a vacinação contra a varíola desde o século X. De qualquer modo, atribui-se aos ingleses o pioneirismo histórico nas vacinações.
Com o advento das vacinações, surgiu um movimento antivacinação, desde o início. Esse movimento tomou corpo com o Dr. Andrew Wakefield, médico britânico, que, há alguns anos, publicou um trabalho na prestigiosa revista The Lancet, “provando”, com dados falsificados, que o autismo é produto de vacinação. Esse médico, criminoso e irresponsável, teve sua licença médica cassada depois que se provou que seu artigo científico era fraudulento. Esse artigo foi retirado dos anais da revista. Mesmo assim, ele deu força para o movimento antivacina internacional.
Graças ao movimento antivacina, o sarampo voltou na Itália, na Alemanha, na Espanha e em Portugal, nos últimos anos. Em 2017, das 1.600 pessoas que pegaram sarampo na Itália, 88% não haviam tomado nenhuma dose da vacina, por conta do movimento antivacina. Várias dessas pessoas morreram de sarampo.
A ONU estima que cerca de 2 a 3 milhões de pessoas sejam poupadas da morte, por ano, em decorrência das vacinas existentes atualmente, cerca de 26 tipos diferentes de vacinas (no Brasil) ou mais.
O movimento antivacina no Brasil existe e tem sido veementemente condenado pelo Conselho Federal de Medicina e pela Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP). “Vacinar crianças, adolescentes e adultos é um ato de cidadania. Recusar-se a estas práticas pode ser considerado negligência”, disse a Dra. Luciana Rodrigues da Silva, presidente da SBP, recentemente.
As pessoas que militam contra as aplicações das vacinas padecem de ignorância ou má fé. São negligentes e criminosas, à medida que promovem o aumento da paralisia infantil, do sarampo, da varíola, da rubéola e de dezenas de inúmeras outras doenças sérias e com alcance adverso muito grande. Pior, em seus próprios filhos.
Seja inteligente e civilizado. Vacine-se e vacine toda a sua casa.
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Quem não quer ficar demente, levante a mão

Por Dr. Lísias Castilho em 25/07/2017

Há cerca de 50 milhões de pessoas dementes no planeta. Este número deverá chegar a 130 milhões em 2050. A causa principal de demência na atualidade é a Doença de Alzheimer, que, felizmente, poupa os jovens e as pessoas de meia idade, na maioria das vezes. Os chamados cidadãos da Terceira Idade é que são os mais afetados. Outras causas de demência são as doenças psiquiátricas, o abuso do álcool, o abuso de drogas, os traumas de crânio, os tumores cerebrais e a aterosclerose, só para citar algumas.
Um estudo inglês, publicado recentemente na prestigiosa revista Lancet, conseguiu identificar as causas mais prevalentes de demência e os fatores de prevenção mais importantes. Os pesquisadores chegaram `a conclusão de que 35% dos casos de demência podem ser prevenidos. Destaco alguns:
1. Nível de educação: pessoas que estudam mais tempo, que vão além do segundo grau, têm conexões neuronais melhores e ficam mais longe da demência
2. Cigarro, álcool e drogas: favorecem a instalação da demência
3. Obesidade e falta de um bom controle de hipertensão: são fatores que andam juntos e podem facilitar o início de vários quadros demenciais
4. Diabetes: o diabetes mal controlado é um notório fator causador de demência aterosclerótica
5. Deficiência auditiva: pessoas que escutam mal e não se tratam, estão muito mais próximas da demência do que as que usam aparelhos auditivos
6. Isolamento social: pessoas que não se conectam socialmente e ficam quase que todo o tempo isoladas têm uma propensão muito maior para a demência
7. Depressão: a depressão não tratada, assim como outras doenças mentais, como a esquizofrenia e a bipolaridade, podem terminar em demência
8. Sedentarismo: pode levar a variadas formas de câncer, osteoporose, sarcopenia e, também, demência.

O resumo dessa pesquisa poderia ser o seguinte: o estilo de vida saudável pode prevenir um em cada três casos de demência. Quem não quiser ficar demente, compre essa ideia.

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É bom que o médico peça muitos exames de imagem?

Por Dr. Lísias Castilho em 26/06/2017

A Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) divulgou neste mês de junho de 2017 alguns dados referentes aos números de pedidos de exames de ressonância magnética e tomografia computadorizada realizados entre 2014 e 2016 por médicos que atendem planos de saúde no Brasil, os chamados “convênios”. Esses dados mostram com clareza que os números desses exames de imagem ultrapassam os números de muitos países desenvolvidos, como Alemanha, França e Estados Unidos. A ANS também demonstrou que houve um crescimento significativo de 18% de pedidos de tomografias entre 2014 e 2016, absolutamente injustificável tecnicamente, e de 22% de pedidos de ressonância magnética.
As explicações para esses números exagerados na população dos “convênios”, cerca de 50 milhões de pessoas, são diversas – despreparo técnico dos médicos, substituição apressada de história e exame físico por exames de imagem, propinas dos radiologistas aos médicos solicitantes, pressão dos pacientes sobre os médicos para a realização de exames de imagem, baixa remuneração dos planos de saúde aos médicos e outras causas.
Já está mais do que provado que os médicos que pedem exames em excesso têm uma formação ruim. Os que não pedem nada nunca, por outro lado, são negligentes. Há um meio termo, nem sempre fácil de achar, em que os exames necessários devem ser solicitados, depois de uma anamnese cuidadosa e de um exame físico completo.
O excesso de tomografias computadorizadas, que têm radiação ionizante, pode levar a algumas formas de câncer, uma vez que o efeito da radiação é cumulativo ao longo da vida. Isso já foi demonstrado nos Estados Unidos, onde havia, até um passado recente, um número abusivo de pedidos de tomografias.
A melhor formação de nossos médicos, tanto ética como técnica, e a educação médica da população, certamente reduzirão os pedidos de exames desnecessários a longo prazo. Por ora, a contenção dos excessos deve ser coibida por meio de auditorias médicas e melhor remuneração dos médicos pelas operadoras de saúde que atuam no Brasil.

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Aumentam as internações psiquiátricas no Brasil

Por Dr. Lísias Castilho em 12/06/2017

Um informe recente da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) revela que as internações psiquiátricas de pacientes de convênios no Brasil passaram de 99,5 mil, em 2012, para 157,4 mil em 2016, um aumento surpreendente de 58%. As duas principais causas de internações psiquiátricas são o alcoolismo e o abuso de drogas ilícitas, como maconha, heroína, crack, ecstasy, anfetaminas e cocaína. Outras causas são depressão, bipolaridade, esquizofrenia e outras psicoses. Não há dados do SUS a este respeito, mas dados extraoficiais dão conta de que os números são semelhantes.
A psiquiatria moderna é ambulatorial, isto é, trata dos pacientes sem internação. A internação está indicada para casos específicos, como os que apresentam risco de suicídio, para alguns casos de dependência química ou casos de potencial de violência, que implicam risco de vida para os outros.  A grande maioria dos casos psiquiátricos é tratada ambulatorialmente.
Esse aumento de internações de pacientes psiquiátricos no Brasil revela que aumentaram significativamente os pacientes com grave dependência química e com risco de violência contra si mesmos ou contra os outros. As drogas ocupam o primeiro lugar nesse processo de deterioração social.
De modo geral, as pessoas que gozam do benefício de terem um convênio médico, cerca de 50 milhões de pessoas, ou um quarto de nossa população, têm o direito de poderem ficar internadas numa unidade psiquiátrica durante trinta dias por ano, além de terem direito ao atendimento psiquiátrico ambulatorial e o direito de poderem receber dezoito sessões de psicoterapia por ano. Se houver necessidade de atendimentos que excedam esses números, os convênios exigem o pagamento pelo atendimento extra. Pessoas que necessitam de um tempo de internação maior do que trinta dias ou que demandem um número maior de sessões de psicoterapia, precisam negociar com seus respectivos convênios ou recorrer ao sistema judiciário, caso não queiram ou não possam pagar.

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