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Quando se aproxima a hora da morte

05/06/18

A morte é inexorável. Todos morreremos, de um jeito ou de outro. Nos lugares mais civilizados do planeta, não se morre senão de doenças crônicas, em idade avançada. Nos lugares incivilizados, como há em várias partes do Brasil e nos piores países do mundo, a morte vem cedo, pela bala, pela faca, pelo espancamento, pelo acidente de trânsito, pela fome e pelo abuso de drogas.
De um modo ou de outro, a morte chegará para todos, democraticamente. Durante o processo crônico de morrer, nos casos de morte natural, por doença, há três maneiras de se encarar a morte, do ponto de vista médico: a eutanásia, a ortotanásia e a distanásia.
Na eutanásia, proibida, ainda, no Brasil, há uma intervenção médica para interromper o sofrimento de quem está morrendo de uma doença incurável. Assim, na Holanda, na Bélgica e em Luxemburgo, há uma legislação em vigor que normatiza a eutanásia já a partir da adolescência. O paciente que está sofrendo e morrendo aos poucos, por vontade própria, tem sua existência abreviada por meio de injeção de substâncias letais, realizada por dois médicos.
A ortotanásia, aprovada no Brasil, não prolonga o sofrimento humano por medidas artificiais protelatórias. O médico permite que o paciente morra naturalmente, e com a ajuda de medicamentos para aliviar seu sofrimento, sem intubação e respiração artificial, por exemplo, medidas estas que prolongariam o sofrimento contra a vontade do paciente e de seus familiares.
A distanásia, praticada no Brasil, infelizmente, e em boa parte do mundo, ao contrário da ortotanásia, prolonga a vida junto com o sofrimento, às vezes por dias ou semanas, não mais do que isso. Pratica-se isso em nossas UTIs, principalmente, onde pacientes sem nenhuma chance de cura, são artificialmente mantidos semi-vivos até onde for possível. Ou até o dinheiro da família acabar.

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Antes de morrer

02/05/17

Há muitos ditos populares, pronunciados na forma do brinde ou da saudação, que dizem mais ou menos o seguinte: Desejo que você tenha uma vida longa e feliz e que sua morte seja um processo rápido e sem dor. Dito de modo mais resumido: Vida longa e morte rápida. Por trás dessa expressão está o desejo, de todo ser humano, de que seu processo de morrer não seja muito prolongado e que o sofrimento seja mínimo.
Infelizmente, diversos estudos têm revelado que a doença ou o processo degenerativo que leva à morte, dura, em média, vários anos e não isenta de sofrimento o indivíduo nem sua família. Um doente pode ficar “morrendo” por dez anos, com grande sofrimento físico e psicológico.
A medicina atual não tem sido eficaz em reduzir o período de sofrimento que antecede a morte. Pelo contrário, tem, via de regra, prolongado a vida e o sofrimento.
Um estudo recente realizado por The Economist em parceria com a Kaiser Family Foundation, em quatro países – Estados Unidos, Itália, Japão e Brasil, revelou diversos aspectos comuns às diversas culturas. A maioria das pessoas entrevistadas, geralmente adultos que acompanharam previamente a morte de um parente ou amigo, escolheria morrer em casa, se pudesse, e não no hospital ou uma unidade de cuidados paliativos. Essas mesmas pessoas, todavia, em sua maioria, perguntadas sobre o local onde provavelmente morreriam, disseram que seria em hospital ou em outro lugar. Isso ilustra a distância entre o que as pessoas gostariam de receber e o que de fato receberão.
Morrem cerca de 56 milhões de pessoas no mundo todos os anos. A minoria dessas pessoas tem uma boa assistência durante o processo de morrer, particularmente quanto a discussões sobre a morte e cuidados paliativos para aliviar o sofrimento. Um número relativamente insignificante, porém crescente, de indivíduos, recebe cuidados em unidades especializadas em ajudar os pacientes que estão já num processo de morte.

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