Arquivo da categoria ‘Doenças sexualmente transmissíveis’

O crescimento da AIDS entre os jovens brasileiros

02/04/18

Em 1996, o Brasil criou um dos melhores serviços de atendimento aos portadores do vírus da AIDS em todo o mundo, pelo SUS, para todas as pessoas. Esse programa foi elogiado e copiado por outros países. Mostrou que funciona muito bem. O número de pessoas tratadas e acompanhadas, no Brasil, supera hoje a marca de 500 mil.
Todavia, o Brasil tem sido incompetente na área da prevenção. Enquanto que, em quase todo o mundo, os números de infectados veem caindo, no Brasil têm subido, particularmente entre pessoas entre 15 a 24 anos de idade. A causa principal é a combinação de sexo promíscuo desprotegido e o uso de drogas injetáveis.
Em 2010, no Brasil, o SUS introduziu uma combinação de drogas chamada PEP (Profilaxia Pós-exposição, com duas drogas, zidovudina e lamivudina), que funciona como a pílula do dia seguinte. Para acidentes com médicos e funcionários de laboratórios, e para o sexo desprotegido eventual, incluindo o estupro, o PEP é receitado por 28 dias, começando dentro das primeiras 72 horas de exposição. Isso previne a doença com altíssima eficácia.
Em 2017, o SUS introduziu o PrEP (Profilaxia Pré-exposição, com duas drogas, entricitabina e fumarato de tenofovir desoproxila), que se destina essencialmente a pessoas que estão constantemente sob o risco de contágio, como os profissionais do sexo. O PrEP, um comprimido azul chamado Truvada, protege contra a AIDS com eficácia de 99%, mas não protege contra outras doenças sexualmente transmissíveis.
Graças ao PEP e ao PrEP, nossos jovens estão perdendo o medo da AIDS, o que tem levado, por exemplo, ao aumento de incidência de sífilis. A perda do medo da AIDS tem levado ao próprio aumento da AIDS, por descuido e desconhecimento. O Brasil está perdendo o jogo na área da educação e da prevenção, lamentavelmente.

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Sífilis no Brasil atual

24/11/17

A sífilis é uma doença sexualmente transmissível causada pela bactéria Treponema pallidum. Pode ser transmitida por contato sexual (geralmente genital, mas também pelo beijo, pelo sexo oral e pela manipulação genital), por transfusão de sangue (muitíssimo rara, atualmente) e por transmissão vertical (da gestante para o feto). Por descaso do Ministério da Saúde nos últimos anos (falta de penicilina no Brasil e falta de campanhas de prevenção), por descuido da população (menor uso de preservativo, aumento das relações promíscuas e desleixo das gestantes com seu pré-natal) e também pelo aumento de realização dos testes de laboratório para a detecção da doença, o número de casos de sífilis vem aumentando no Brasil desde 2010. O aumento entre 2015 e 2016 foi de 27,9%. Em 2016, foram detectados 87.593 casos novos (30.470 em gestantes e 20.474 em bebês; os demais, homens e mulheres adultos). Em 2017, a estimativa do Ministério da Saúde é de 94.460 casos novos.
A sífilis geralmente aparece como lesão ulcerada indolor genital depois de 2 a 3 semanas do contágio – é a sífilis primária. Mesmo sem tratamento, a doença desaparece algumas semanas depois e vai para o sangue. Reaparece no corpo todo, semanas ou meses depois, com lesões típicas em palmas das mãos e plantas dos pés, febre, dores no corpo, emagrecimento, mal-estar, lesões nas mucosas – é a sífilis secundária. Depois, mesmo sem tratamento, desaparece clinicamente e entra numa fase de latência. Anos depois, reaparece como sífilis no sistema nervoso, no sistema cardiocirculatório ou como um tumor (goma sifilítica) – sífilis terciária, geralmente muito grave e potencialmente letal.
A sífilis na gestação, se detectada por meio de exames de rotina durante o pré-natal, na primeira metade da gestação, fica curada e não passa para o feto em desenvolvimento. Muitas mães negligenciam o pré-natal, que está disponível em todo o Brasil de graça, pelo SUS, ou se recusam a receber injeções de penicilina durante a gestação, por ignorância ou receio de efeitos colaterais.
A sífilis poderia ter acabado em todo o planeta há muito tempo. A ignorância, o preconceito, a promiscuidade sexual e o descaso governamental, mantêm a sífilis nos países atrasados, como o nosso.

Vacina contra o HPV para meninos

13/10/16

O Ministério da Saúde do Brasil anunciou um novo programa de vacinação para janeiro de 2017, no calendário oficial, para todo o país – vacina contra o HPV (vírus do papiloma humano) para meninos entre 11 e 13 anos de idade. O objetivo final da vacinação é a redução dos cânceres causados pelo vírus, que é sexualmente transmissível: câncer de pênis, de canal anal (homens e mulheres), de vagina, de colo de útero, de vulva, de boca (homens e mulheres). A vacinação para meninas já está no programa oficial nacional há alguns anos.
No programa de vacinação dos Estados Unidos, que existe há 10 anos, pioneiro na vacinação contra o HPV, a recomendação é a seguinte:
Devem ser vacinados:
-Homens de 11 a 12 anos, até 21 anos
-Homossexuais masculinos até 26 anos
-Homens imunodeprimidos até 26 anos
-Mulheres de 11 a 26 anos
Nos Estados Unidos, o esquema é de 3 doses num período de 6 meses. No Brasil, por diversas razões, houve uma adaptação e atualmente são fornecidas duas doses para as meninas até 14 anos, e não três..
A vacina já foi suficientemente testada em diversos países para ser considerada muito segura, com poucos efeitos colaterais e riscos mínimos para a saúde. O benefício da vacinação é muito grande, em longo prazo.
A proteção conferida pela vacina é para toda a vida. Não há previsão de reforços no atual esquema de vacinação. O problema das vacinas (há 3 apresentações comerciais no presente) é o custo, que é muito alto para a nossa realidade e para quase todos os países em desenvolvimento. As vacinas são caras e o Estado brasileiro não tem recursos para fazer o mesmo esquema dos países desenvolvidos. O objetivo é estender aos poucos para meninos e meninas mais velhos, adolescentes e depois, finalmente, adultos jovens.
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O Ministério da Saúde do Brasil anunciou um novo programa de vacinação para janeiro de 2017, no calendário oficial, para todo o país – vacina contra o HPV (vírus do papiloma humano) para meninos entre 11 e 13 anos de idade. O objetivo final da vacinação é a redução dos cânceres causados pelo vírus, que é sexualmente transmissível: câncer de pênis, de canal anal (homens e mulheres), de vagina, de colo de útero, de vulva, de boca (homens e mulheres). A vacinação para meninas já está no programa oficial nacional há alguns anos.
No programa de vacinação dos Estados Unidos, que existe há 10 anos, pioneiro na vacinação contra o HPV, a recomendação é a seguinte:
Devem ser vacinados:
-Homens de 11 a 12 anos, até 21 anos
-Homossexuais masculinos até 26 anos
-Homens imunodeprimidos até 26 anos
-Mulheres de 11 a 26 anos
Nos Estados Unidos, o esquema é de 3 doses num período de 6 meses. No Brasil, por diversas razões, houve uma adaptação e atualmente são fornecidas duas doses para as meninas até 14 anos, e não três.
A vacina já foi suficientemente testada em diversos países para ser considerada muito segura, com poucos efeitos colaterais e riscos mínimos para a saúde. O benefício da vacinação é muito grande, em longo prazo.
A proteção conferida pela vacina é para toda a vida. Não há previsão de reforços no atual esquema de vacinação. O problema das vacinas (há 3 apresentações comerciais no presente) é o custo, que é muito alto para a nossa realidade e para quase todos os países em desenvolvimento. As vacinas são caras e o Estado brasileiro não tem recursos para fazer o mesmo esquema dos países desenvolvidos. O objetivo é estender aos poucos para meninos e meninas mais velhos, adolescentes e depois, finalmente, adultos jovens.
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Herpes genital

21/01/13

Uma das doenças que mais cresceram nas últimas décadas é o herpes genital. Mais de 200 milhões de pessoas no mundo sofrem de herpes genital.
Esta é uma das doenças sexualmente transmissíveis mais estudadas atualmente. É causada por um vírus chamado VHS tipo 2 – ou vírus Herpes simplex tipo 2 – e só se transmite de pessoa para pessoa. Não existe outra forma de transmissão, como por objetos, roupas, banheiro sujo, etc. O vírus passa de uma pessoa à outra durante uma relação sexual ou então da mãe grávida para seu bebê através da placenta.
O herpes genital demora geralmente de dois a seis meses para se manifestar após o contágio. Surgem pequenas bolinhas dolorosas na região genital, tanto do homem como da mulher, que no dia seguinte viram feridas e que desaparecem depois de mais ou menos dez dias, sem deixar cicatrizes.
O herpes genital tipicamente volta outras vezes, sempre da mesma maneira. O herpes genital pode ser transmitido durante a relação sexual, quando as feridas estão presentes, ou mesmo quando aparentemente não há doença alguma, isto é, quem tem herpes genital pode nem saber que tem. É exatamente por esta característica que existe tanta gente com herpes no mundo moderno. A maioria das pessoas não se sente doente, não sabe que tem o vírus e fica passando aos outros em relações sem preservativo.
Não existe cura para o herpes genital. Muito dinheiro em pesquisa tem sido gasto para se chegar a um remédio que cure ou uma vacina que proteja de verdade. Só que até agora somente descobriram dois ou três medicamentos que aliviam, mas não curam o herpes genital. Como todas as demais doenças sexualmente transmissíveis, a melhor maneira de se prevenir do herpes genital é ter uma vida sexual monogâmica, isto é, com um parceiro só, e usar preservativo.
O herpes genital pode causar a morte de um bebê em formação ou defeitos graves em seu cérebro e outros órgãos. Pode também facilitar o desenvolvimento de câncer de colo do útero nas mulheres.
Aceite um conselho: fuja do herpes genital como o diabo foge da cruz.

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Sífilis também é DST

18/06/12

As doenças venéreas mudaram de nome: hoje se chamam DST – Doenças Sexualmente Transmissíveis, ou Doenças Sexualmente Transmitidas. A mudança se deve a duas razões: uma técnica e outra emocional. A razão técnica é que a palavra “venérea” significa literalmente “adquirida de mulher” e isto é absolutamente incorreto, além de preconceituoso.
As doenças sexualmente transmissíveis podem ser adquiridas por meio de relações sexuais onde tanto o homem como a mulher são os agentes transmissores, como podem ser transmitidas por mecanismos não-sexuais, por exemplo a transfusão de sangue.
A razão emocional é que o termo venéreo é muito negativo e marca com muita força o paciente, ao passo que DST é mais suave. Você já pensou ouvir de sua filha: “Pai, estou com uma doença venérea”? Não soa melhor: “Mãe estou com uma DST”?
Das DST a sífilis é uma das mais freqüentes hoje em dia. Sabe o que está acontecendo? As pessoas estão tendo um relacionamento sexual mais aberto e mais intenso, com freqüente troca de parceiros. A sífilis está sendo transmitida principalmente entre os jovens. As moças que têm sífilis engravidam e passam as bactérias da sífilis para os seus bebês durante a gestação. Aí nascem crianças surdas ou com defeitos nos ossos ou com retardamento mental ou ainda com problemas cardíacos.
No Brasil nascem crianças com sífilis todos os dias, o que está preocupando muito o Ministério da Saúde.
O que fazer de prático? Mudar o comportamento sexual das pessoas? Isto leva muito tempo e talvez não aconteça. A grande saída é o pré-natal. Sabe por quê? Porque a sífilis só passa da mãe infectada para a criança depois do quarto mês de gestação. Na primeira metade da gestação a criança está protegida. Se durante o pré-natal o médico descobrir a sífilis na mulher, dá tempo de tratar e a criança ficará livre da sífilis. É simples, mas não se faz.
No Brasil os exames de pré-natal são feitos numa minoria de mulheres, embora esteja disponível para todas. Que pena!
Preste atenção: Faça o pré-natal, aconselhe o pré-natal, exija o pré-natal e salve uma criança da sífilis congênita.
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Sífilis é…

18/06/12

Sífilis é uma doença conhecida há muitos séculos e que existe há milênios. É possível que ela acompanhe o ser humano desde o início. No entanto, até hoje ninguém sabe como ela surgiu e como foi exatamente sua disseminação por todos os continentes.
A sífilis passou a ser uma doença comum na Europa a partir do século XV e desde então matou centenas de milhares de pessoas.
A sífilis é uma doença que se transmite principalmente de duas maneiras hoje em dia: por relacionamento sexual e, na gravidez, da mãe para o nenê. Anos atrás a transmissão por meio de transfusão de sangue foi considerável; hoje não mais, graças às leis mais rigorosas que exigem os testes específicos para sífilis de todo o sangue a ser transfundido. É improvável que alguém venha a se contaminar por intermédio do sangue.
A sífilis é uma das clássicas doenças sexualmente transmissíveis e foi conhecida como grave problema de Saúde Pública até mais ou menos o final da II Guerra Mundial, em 1944, quando se descobriu a penicilina e a cura da sífilis passou a ser alcançada em 100% dos casos.
A sífilis era, até aquela época, o que a AIDS é hoje, com a diferença que a sífilis matava muito mais do que a AIDS mata atualmente. Com a penicilina a sífilis quase acabou e o medo de se pegar a doença também. Por causa dessa falta de medo e também em razão da mudança do comportamento sexual, a partir dos anos 60 a sífilis voltou e está de novo na moda.
Hoje em dia, no Brasil, a sífilis é uma doença muito temida, principalmente a sífilis congênita, aquela que se transmite da mulher grávida para o seu filho por intermédio da placenta e que já está presente na criança quando nasce.
O Ministério da Saúde calcula que três ou quatro grávidas em cada 100 têm sífilis. A criança nascida de uma mulher com sífilis tem cerca de 85% de chance de estar também com sífilis.
Saiba que a sífilis voltou e está crescendo de modo significativo. Suas principais vítimas agora são as crianças.

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Neste Carnaval use camisinha. Será?

09/02/11

Muitas campanhas de saúde pública têm sido feitas no Brasil desde o primeiro governo do presidente Rodrigues Alves (1902-1906), que tomou medidas enérgicas no Rio de Janeiro, polêmicas, envolvendo o grande sanitarista e, então, ministro da Saúde – Osvaldo Cruz. A Revolta da Vacina foi o subproduto das medidas governamentais e entrou para a história das campanhas de saúde no Brasil. A truculenta campanha de vacinação anti-variólica quase causou uma guerra civil, mas trouxe resultados positivos inegáveis, frutos do trabalho de Osvaldo Cruz, colhidos mais tarde por seu sucessor Carlos Chagas.

Nos últimos anos assistimos a várias campanhas governamentais – contra o cigarro, contra o alcoolismo, campanhas de vacinação de crianças, campanhas em favor do aleitamento materno, campanhas de combate à dengue e, notadamente, campanhas de prevenção e combate à AIDS. Quase todos os anos, nesta época, toda a mídia reprisa o slogan da campanha iniciada no passado – ¨Neste Carnaval use camisinha¨.

Pesquisas de ONGs e do Ministério da Saúde mostram que o uso da camisinha não é de modo algum generalizado e que cai muito quando o relacionamento se torna estável, depois de algumas semanas. O uso correto da camisinha, também conhecida no passado como preservativo ou condom, está longe de ser normativo, o que agrava ainda mais o risco de doença sexualmente transmissível e de gravidez, particularmente entre adolescentes.

Dados oficiais mostram que a AIDS cresceu no Brasil ao mesmo tempo que as campanhas contra a AIDS foram orquestradas. Há, no Brasil, entre 1980 e junho de 2010, o registro oficial de 592.914 pessoas com AIDS. Cerca de 38 mil casos novos têm surgido a cada ano nos últimos anos. A AIDS tem crescido na faixa de idade de 13 a 24 anos e tem sido especialmente perversa entre meninas de 13 a 19 anos, única faixa etária em que o número de mulheres supera o de homens.

A principal forma de contágio, tanto em homens como mulheres, é, de longe, a sexual, tanto heterossexual como homossexual masculina. Os casos de transmissão sexual superam de muito, numericamente, os casos transmitidos pelo uso de drogas na epidemiologia da AIDS, no Brasil e na maior parte do mundo.

Pode-se concluir, sem dificuldades, que as campanhas governamentais neste particular têm sido pouco eficazes e que a divulgação pré-carnavalesca do slogan não vai longe o bastante para fazer qualquer diferença, tanto quanto a distribuição gratuita maciça de camisinhas no país, ou parte dele, na época do Carnaval. A AIDS, bem como todas as inúmeras doenças sexualmente transmissíveis, está a exigir muito mais da parte do Estado do que o que temos visto até agora. Está a exigir um Osvaldo Cruz.

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