dezembro, 2017

Como evitar o câncer?

13/12/17

Uma importante revista médica norte-americana (CA Cancer J Clin) publicou, em novembro de 2017, um extenso trabalho sobre os potenciais fatores de risco de câncer modificáveis, isto é, que poderiam ser explorados no sentido de se buscar a redução significativa do número de casos novos de câncer nos Estados Unidos.
Os principais fatores de risco para o desenvolvimento do câncer, que podem ser modificados pela mudança de comportamento, são os seguintes: fumar; fumar passivamente; sobrepeso; ingestão imoderada de álcool; consumo rotineiro de carne vermelha e de carne processada; baixo consumo de vegetais e de fibras na dieta; sedentarismo; exposição aos raios ultravioletas; infecção pela bactéria Helicobacter pylori, pelo vírus da hepatite B, pelo vírus da hepatite C, pelo vírus do herpes tipo 8 (HHV8), pelo vírus HIV e pelo vírus HPV.
Os dados revisados nacionalmente se referem ao ano de 2014, em que ocorreram perto de 1,5 milhão de casos novos de câncer e em que morreram mais de 500 mil pessoas de câncer. Do total de casos de câncer, em 2014, os autores do trabalho calcularam, por meio de uma metodologia complexa, que 42% de todos os casos de câncer incidentes a partir dos 30 anos de idade poderiam ter sido evitados. Os dois fatores de risco principais observados foram o hábito de fumar e o sobrepeso. Os autores estimaram que 19% de todos os casos se relacionaram ao cigarro, o que deve ser um número subestimado, uma vez que eles não incluíram outras formas de tabagismo. Isso torna o hábito de fumar o inimigo público número um nos Estados Unidos e, provavelmente, em todo o mundo.
No Brasil, não temos dados dessa natureza, mas, pelos dados que temos já publicados, podemos dizer que há uma similaridade notável em quase tudo, com a diferença de que temos metade de nossa população com sobrepeso e, nos Estados Unidos, há três quartos da população acima do peso. Sabidamente, o sobrepeso desencadeia várias formas de câncer. Uma das mais comuns é o câncer de mama na mulher obesa depois da menopausa.
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O hospital é um lugar muito perigoso

04/12/17

Dificilmente, nos dias de hoje, pelo menos nas regiões urbanas, uma pessoa pode dizer que nunca passou ou que jamais passará por exames ou tratamentos dentro de um hospital. Exames sofisticados são realizados dentro de unidades hospitalares, bem como partos, intervenções cirúrgicas variadas e tratamentos clínicos de toda ordem. Quase todos nós nascemos em hospitais. Quase todos nós fizemos ou faremos intervenções ou exames dentro de hospitais. Muitos de nós morreremos dentro de hospitais. Essa é uma realidade que dificilmente vai mudar nas próximas décadas.
Ainda que os hospitais salvem muitas vidas e nos deem muitas alegrias, como o nascimento de uma criança ou a cura de um câncer, são locais muito perigosos para se frequentar. Um trabalho conduzido pela Universidade Federal de Minas Gerais e pelo Instituto de Estudos de Saúde Suplementar, entre julho de 2016 e junho de 2017, baseado em pesquisa conduzida em 133 hospitais que prestam serviços para o SUS, estimou que 829 brasileiros morrem diariamente em hospitais públicos e particulares no Brasil, por falhas, ou “eventos adversos”, que poderiam, em pelo menos 60% dos casos, ser evitados. Erros médicos, erros de enfermagem, erros de administração de medicamentos, infecções hospitalares, quedas de pacientes, trombose venosa em membros inferiores, embolia pulmonar e outros, são responsáveis por 300 mil mortes por ano. Apenas os acidentes vasculares matam mais no Brasil, cerca de 950 brasileiros por dia. Os “efeitos adversos” dentro de hospitais matam mais do que o câncer (cerca de 500 pacientes por dia) no Brasil.
Esse fenômeno é universal. Nos Estados Unidos, morrem mais de 1000 pacientes por dia dentro de hospitais, dos mesmos “efeitos adversos”, mas a população lá é mais de 55% maior do que a nossa, o que torna nossos números muito piores. Todos os hospitais do mundo têm mortes inteiramente evitáveis, causadas por erros e infecções hospitalares, principalmente.
Isso pode, evidentemente, ser minimizado. Há diversos protocolos já elaborados para a redução dos riscos, especialmente aqueles causados por falhas humanas, mas dificilmente a situação será inteiramente controlada num futuro próximo. Os hospitais continuarão a ser lugares muitos perigosos para pessoas que lá precisem ser tratadas.

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