novembro, 2017

Sífilis no Brasil atual

24/11/17

A sífilis é uma doença sexualmente transmissível causada pela bactéria Treponema pallidum. Pode ser transmitida por contato sexual (geralmente genital, mas também pelo beijo, pelo sexo oral e pela manipulação genital), por transfusão de sangue (muitíssimo rara, atualmente) e por transmissão vertical (da gestante para o feto). Por descaso do Ministério da Saúde nos últimos anos (falta de penicilina no Brasil e falta de campanhas de prevenção), por descuido da população (menor uso de preservativo, aumento das relações promíscuas e desleixo das gestantes com seu pré-natal) e também pelo aumento de realização dos testes de laboratório para a detecção da doença, o número de casos de sífilis vem aumentando no Brasil desde 2010. O aumento entre 2015 e 2016 foi de 27,9%. Em 2016, foram detectados 87.593 casos novos (30.470 em gestantes e 20.474 em bebês; os demais, homens e mulheres adultos). Em 2017, a estimativa do Ministério da Saúde é de 94.460 casos novos.
A sífilis geralmente aparece como lesão ulcerada indolor genital depois de 2 a 3 semanas do contágio – é a sífilis primária. Mesmo sem tratamento, a doença desaparece algumas semanas depois e vai para o sangue. Reaparece no corpo todo, semanas ou meses depois, com lesões típicas em palmas das mãos e plantas dos pés, febre, dores no corpo, emagrecimento, mal-estar, lesões nas mucosas – é a sífilis secundária. Depois, mesmo sem tratamento, desaparece clinicamente e entra numa fase de latência. Anos depois, reaparece como sífilis no sistema nervoso, no sistema cardiocirculatório ou como um tumor (goma sifilítica) – sífilis terciária, geralmente muito grave e potencialmente letal.
A sífilis na gestação, se detectada por meio de exames de rotina durante o pré-natal, na primeira metade da gestação, fica curada e não passa para o feto em desenvolvimento. Muitas mães negligenciam o pré-natal, que está disponível em todo o Brasil de graça, pelo SUS, ou se recusam a receber injeções de penicilina durante a gestação, por ignorância ou receio de efeitos colaterais.
A sífilis poderia ter acabado em todo o planeta há muito tempo. A ignorância, o preconceito, a promiscuidade sexual e o descaso governamental, mantêm a sífilis nos países atrasados, como o nosso.

Novembro Azul

06/11/17

Em 1999, um grupo de amigos, num pub, na Austrália, teve a ideia de deixar o bigode crescer durante todo o mês de Novembro, com a finalidade de arrecadar fundos para instituições de caridade e de levar os homens a se conscientizarem sobre os problemas de saúde masculinos, notadamente câncer de próstata e depressão. Cunharam o termo Movember (moustache (bigode) + November (novembro), em inglês). Em muitos lugares do mundo, ainda hoje, deixar barba e bigode crescerem durante o mês de Novembro, para chamar a atenção para o movimento, marcam o movimento original.
Em 2003, também na Austrália, aproveitando os dias 17 de Novembro (Dia Internacional de Combate ao Câncer de Próstata) e 19 de Novembro (Dia Internacional do Homem), criaram o Novembro Azul, que hoje é uma campanha mundial. Em 2004, na Austrália, foi criada uma fundação com o objetivo de promover a caridade patrocinada pelos homens australianos – Movember Foundation Charity.
O câncer de próstata tem sido o foco da campanha no Brasil, talvez porque a campanha tenha sido adotada pela Sociedade Brasileira de Urologia, o que é um erro. Enquanto o câncer de próstata mata 12 mil homens por ano, morrem cerca de 60 mil por homicídio e cerca de 40 mil por acidentes de trânsito. Muitos desses assassinatos e dessas mortes no trânsito estão vinculadas ao consumo excessivo de álcool e de outras drogas. Morrem, ainda, cerca de 50 mil homens por acidente vascular cerebral e um número ainda maior por infarto do miocárdio todos os anos.
Novembro Azul é a oportunidade de se falar sobre a saúde do homem brasileiro, que não vai bem, segundo dados oficiais. Além do câncer de próstata, temos que abordar depressão, suicídio, alcoolismo, tabagismo, abuso de drogas ilícitas, obesidade, sedentarismo, violência, desemprego, homossexualidade/homofobia, demência, osteoporose, disfunção sexual, etc. O homem está longe de ser só uma próstata e merece ser abordado, notadamente pela mídia, de acordo com sua enorme complexidade.
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