agosto, 2017

A cirurgia robótica é melhor do que a cirurgia convencional?

30/08/17

Há 15 anos no mundo e há 10 anos no Brasil, o robô para cirurgia laparoscópica está em franca ascensão no mercado. Todo hospital quer comprar um. Todo cirurgião gostaria de usá-lo. Já temos no Brasil 32 robôs, que servem para auxiliar cirurgia de cabeça e pescoço, cirurgia ginecológica, cirurgia cardíaca e, principalmente, cirurgia da próstata. Nos Estados Unidos, há cerca de 3 mil robôs instalados e funcionando em 2017.
O que pode fazer um robô numa cirurgia? A resposta é simples: absolutamente nada. Quem faz é o cirurgião. O robô é apenas uma ferramenta. Se o cirurgião é ruim, a cirurgia com robô fica ruim. Já ocorreram mortes causadas por cirurgiões manipulando mal um robô. Culpa do robô? Claro que não. Culpa do cirurgião. Se o cirurgião é bom, o robô o ajuda muito, dando-lhe uma visão tridimensional, precisão de movimentos e conforto. Engana-se aquele que pensa que o robô é o responsável por melhores resultados. Isso não acontece com o modelo de robô cirúrgico – o Da Vinci, monopólio de uma indústria americana –, que temos atualmente. Os bons resultados são fruto de treinamento do cirurgião, que aperfeiçoa sua boa técnica com a ajuda do robô.
Espera-se, todavia, um modelo futuro de robô, com inteligência artificial, apto a realizar com perfeição uma cirurgia para a qual foi programado. Muito provavelmente, o melhor cirurgião do hospital do futuro será um robô deste tipo. Por ora, temos que nos contentar com um robô desprovido de inteligência, não programado para fazer movimentos independentes, não programado para corrigir a tempo as manobras equivocadas do cirurgião e de altíssimo custo.
O melhor cirurgião do presente é aquele que estuda, que treina e que se prepara para fazer a cirurgia, com ou sem o robô. O robô não faz de um mau cirurgião um ás da cirurgia.

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Segunda opinião

21/08/17

Quando um médico indica uma cirurgia qualquer, pequena ou grande, ou um tratamento de alta complexidade, como radioterapia, quimioterapia e diálise, o paciente deveria buscar uma segunda opinião médica, da mesma especialidade. Isso não é de modo algum ofensivo ao médico que indicou o tratamento pela primeira vez e não deveria suscitar qualquer prurido em qualquer das partes, médico e paciente. Também o médico que emitirá a segunda (ou terceira) opinião, não deveria se sentir pressionado ou constrangido. Bons profissionais apreciam a busca da segunda opinião para estabelecerem com mais embasamento sua conduta profissional. A segunda opinião é uma medida que só beneficia a boa prática médica, evitando fraudes e desperdícios, tanto no serviço público como no privado. De modo algum o serviço privado está isento de fraudes e tratamentos desnecessários.
No Brasil, como em outros países, há boas e más indicações de tratamento clínico ou cirúrgico. Há também desperdícios e fraudes. A Escola Nacional de Seguros (Funenseg) e o Instituto de Estudos de Saúde Suplementar (IESS) apresentaram recentemente dados relativos a 2015 e 2016, demonstrando que, no Brasil, há gastos de cerca de 20 bilhões de reais por ano com procedimentos cirúrgicos desnecessários, exames inúteis ou fraudes. No Hospital Beneficência Portuguesa de São Paulo, por exemplo, estimou-se que 60% das cirurgias de coluna no Brasil são desnecessárias. Lá existe um serviço gratuito de segunda opinião em casos que tenham indicação de cirurgia de coluna. De cada 10 pacientes que lá se consultam, 6 são aconselhados a não se submeterem às cirurgias propostas por seus respectivos ortopedistas.
Bons profissionais ficam satisfeitos quando seus pacientes buscam uma segunda opinião. Maus profissionais se sentem ofendidos com isso. Este já é um critério central para que se escolha o médico que efetuará seu tratamento.

 

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A disparada da AIDS entre jovens no Brasil

15/08/17

Dados divulgados pelo Departamento de DST, Aids e hepatites virais, do Ministério da Saúde, mostram que a infecção pelo vírus HIV, o vírus da AIDS, cresceu muito no Brasil entre 2006 e 2015 entre os jovens, principalmente homens homossexuais, entre 15 e 29 anos, enquanto que em outras faixas etárias ficou estável ou diminuiu. O crescimento mais impressionante foi entre jovens entre 15 e 19 anos, cerca de 190%.
As razões desse crescimento decorrem de desinformação, desconhecimento do passado, aumento do uso de drogas injetáveis e descaso para com as medidas preventivas, entre várias outras. As entrevistas com os jovens mostram, ainda, que o tremendo medo da AIDS diminuiu. Os jovens acham que há tratamento eficaz e que a infecção não é “assim tão fácil de pegar”. Ledo engano.
Em quase todos os países desenvolvidos há uma notória redução do número de casos novos de infecção pelo HIV, o que aponta para uma extinção da AIDS no planeta nos próximos 15 a 20 anos. O Brasil e alguns outros países em desenvolvimento da América do Sul estão na contramão do que ocorre no Primeiro Mundo. O Brasil já vem dando sua contribuição negativa para o mundo, que já desistiu de extinguir a AIDS até 2030, como projetado. Os números brasileiros vão obrigar as autoridades sanitárias internacionais a rever suas metas.
Entre as possíveis soluções para combater a AIDS entre os jovens brasileiros, cito algumas:
1-Educação sexual de qualidade: na família, na escola, na igreja, no clube e na mídia social
2-Combate rigoroso às drogas lícitas e ilícitas, na família, principalmente
3-Disponibilização gratuita de preservativos, métodos contraceptivos e seringas descartáveis para os adolescentes e adultos jovens
4-Tratamento dos grupos de risco com PEP (profilaxia pós-exposição) e PreP (profilaxia pré-exposição)

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Movimento antivacina – certo ou errado?

04/08/17

A primeira vacina humana que existiu foi a vacina contra a varíola, no século XVIII, com Jenner, na Inglaterra. É bem provável que ele tenha se aproveitado da experiência chinesa com a vacinação contra a varíola desde o século X. De qualquer modo, atribui-se aos ingleses o pioneirismo histórico nas vacinações.
Com o advento das vacinações, surgiu um movimento antivacinação, desde o início. Esse movimento tomou corpo com o Dr. Andrew Wakefield, médico britânico, que, há alguns anos, publicou um trabalho na prestigiosa revista The Lancet, “provando”, com dados falsificados, que o autismo é produto de vacinação. Esse médico, criminoso e irresponsável, teve sua licença médica cassada depois que se provou que seu artigo científico era fraudulento. Esse artigo foi retirado dos anais da revista. Mesmo assim, ele deu força para o movimento antivacina internacional.
Graças ao movimento antivacina, o sarampo voltou na Itália, na Alemanha, na Espanha e em Portugal, nos últimos anos. Em 2017, das 1.600 pessoas que pegaram sarampo na Itália, 88% não haviam tomado nenhuma dose da vacina, por conta do movimento antivacina. Várias dessas pessoas morreram de sarampo.
A ONU estima que cerca de 2 a 3 milhões de pessoas sejam poupadas da morte, por ano, em decorrência das vacinas existentes atualmente, cerca de 26 tipos diferentes de vacinas (no Brasil) ou mais.
O movimento antivacina no Brasil existe e tem sido veementemente condenado pelo Conselho Federal de Medicina e pela Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP). “Vacinar crianças, adolescentes e adultos é um ato de cidadania. Recusar-se a estas práticas pode ser considerado negligência”, disse a Dra. Luciana Rodrigues da Silva, presidente da SBP, recentemente.
As pessoas que militam contra as aplicações das vacinas padecem de ignorância ou má fé. São negligentes e criminosas, à medida que promovem o aumento da paralisia infantil, do sarampo, da varíola, da rubéola e de dezenas de inúmeras outras doenças sérias e com alcance adverso muito grande. Pior, em seus próprios filhos.
Seja inteligente e civilizado. Vacine-se e vacine toda a sua casa.
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