maio, 2017

A nova maneira de se prevenir a AIDS, Prep

29/05/17

Neste ano de 2017, o Ministério da Saúde, por meio da ANVISA (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), vai implantar no SUS o Prep – Profilaxia Pré-Exposição -, uma nova estratégia de combate à AIDS. O Prep compreende a administração de duas drogas antivirais, que impedem que o vírus HIV invada as células humanas e inicie todo o processo de infecção, que termina na doença AIDS. As pessoas a quem se destina essa estratégia, que não é nossa, é internacional e já devidamente testada com sucesso, são homens homossexuais, transgêneros e profissionais do sexo, que não fazem uso regular de preservativo. Tais pessoas, cerca de sete mil, quase todos homens, têm um alto risco de adquirir o vírus HIV. O uso regular do Prep vai impedir que cerca de 15% dessas pessoas se transformem em aidéticos. As drogas, que serão fornecidas gratuitamente pelo SUS, terão uma indicação médica precisa e estarão disponíveis nos próximos meses.
A Profilaxia Pós-Exposição é outra estratégia, já implantada, que compreende o uso de remédios por trinta dias após uma relação de risco sem preservativo, e não se destina ao mesmo grupo de risco que usará Prep. A Profilaxia Pós-Exposição se destina a casos de mulheres estupradas, por exemplo, cuja relação sexual não protegida foi um acidente, e não um hábito.
A AIDS deve ser prevenida por meio de educação sexual, relações protegidas, alerta contra o uso de seringas e agulhas compartilhadas, alerta contra a promiscuidade sexual, profilaxias pré e pós exposição, identificação e tratamento precoce de gestantes com HIV, disponibilização universal de preservativos, entre outras medidas. Apesar de tudo isso estar sendo, de algum modo, feito no Brasil, temos perdido a luta para a AIDS. O Brasil, assim como alguns outros países da América do Sul, tem observado o crescimento da AIDS, na contramão do Primeiro Mundo, em que só tem havido decréscimo.

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O crescimento da pressão alta no Brasil

24/05/17

A pressão alta, mais apropriadamente chamada de hipertensão arterial, vem crescendo em incidência em quase todo o mundo. No Brasil, oficialmente, segundo dados não muito confiáveis do Ministério da Saúde, a incidência aumentou de 22,5% em 2006 para 25,7% em 2016, isto é, o número de hipertensos diagnosticados por ano cresceu pouco a pouco, por razões variadas, algumas de fácil identificação, como o aumento do sobrepeso, o sedentarismo, a dieta rica em sódio, o consumo abusivo de refrigerantes e bebidas alcoólicas, além do estresse cada vez maior da vida cotidiana. Outras causas são genética, insuficiência renal, dislipidemia (colesterol e triglicérides aumentados), tabagismo e uso abusivo de certas drogas, lícitas, como a cafeína, ou ilícitas, como a cocaína.
A hipertensão arterial é silenciosa e tem, pelo menos no início, poucos sintomas. A vítima da hipertensão nem sabe que está doente. É necessário, para o correto diagnóstico, educar a população para medir a pressão arterial periodicamente, desde a infância. Caso contrário, o diagnóstico será tardio e as sequelas serão maiores.
A hipertensão exige, para seu tratamento, uma mudança na alimentação, perda de peso, exercícios regulares, ingestão baixa de sódio, redução de bebidas alcoólicas, abstinência do tabaco e de drogas ilícitas, redução de cafeína, medicamentos diários e visitas periódicas ao cardiologista ou nefrologista, os maiores estudiosos da hipertensão arterial.
A hipertensão mal tratada ou não tratada leva ao aumento dos acidentes vasculares cerebrais, cardíacos e dos grandes vasos, além de danificar seriamente os vasos da retina e dos rins, levando à perda da acuidade visual e à insuficiência renal crônica. O hipertenso vive, em média, seis anos a menos do que deveria viver, se não levar o tratamento a sério. Bem tratado e bem acompanhado, clinicamente, pode viver como uma pessoa sem hipertensão arterial e com boa qualidade de vida.

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Quanto vive uma pessoa contaminada pelo vírus da AIDS?

19/05/17

Quando uma pessoa é infectada pelo vírus HIV (vírus da imunodeficiência humana), quer pelo uso compartilhado de drogas injetáveis, como cocaína e heroína, que por via sexual, homo ou heterossexual, quer por transfusão de sangue ou derivados, quer por acidentes em laboratórios, quer por via vertical (da mãe para o feto) ou por qualquer outro modo, muito mais raro, ela pode ficar com o vírus no corpo sem nunca desenvolver a doença AIDS – síndrome da imunodeficiência adquirida. O mais provável, todavia, é que, depois de alguns meses ou poucos anos, essa pessoa comece a apresentar sintomas da doença – febre, perda de peso, diarreia, e muitos outros sintomas e sinais inespecíficos.
Até meados dos anos 90, um aidético tinha uma expectativa de vida de 18 meses no Brasil. No Primeiro Mundo, essa expectativa era de 36 meses. Quando surgiu a terapia antirretroviral, base do “coquetel” de três drogas diferentes, em 1996, a expectativa de vida começou a crescer. De 2008 para cá, com novas drogas, o coquetel tornou-se ainda mais eficiente. Segundo um estudo recente, com 88 mil pacientes, os aidéticos que começaram a se tratar a partir de 2008 têm agora uma expectativa de vida de 78 anos, na Europa e nos Estados Unidos, poucos anos menor do que as pessoas não-aidéticas naqueles mesmos lugares. Isso significa que, atualmente, a doença AIDS ficou tão cronificada, que praticamente pode-se dizer que ela não encurta mais a vida.
No Brasil, a incidência de AIDS vem aumentando nos últimos anos, pela omissão governamental, principalmente. O coquetel oferecido aqui é o mesmo dos países desenvolvidos. Não há estudos semelhantes no Brasil, mas o que se vê na prática é que as nossas vítimas da AIDS, se bem tratadas e bem acompanhadas, têm vidas normais, ainda que não curadas.

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Uma guerra nas nossas ruas e estradas

17/05/17

Os acidentes de trânsito no Brasil atual matam cerca de 60 mil pessoas por ano e deixam mutiladas outras 600 mil pessoas. O custo pessoal, familiar e social desses números pode ser estimado, mas é certamente uma fração do custo verdadeiro. O Brasil é um dos países que têm os números mais expressivos de acidentes de trânsito no mundo. Mais um triste recorde para nós.
As razões para números tão grandes são conhecidas: motoristas despreparados ou alcoolizados, veículos com manutenção deficiente, estradas e ruas com buracos e falta de sinalização, pedestres mal educados e um governo incompetente.
As principais vítimas dos acidentes de trânsito são das classes D e E, isto é, das classes pobres, geralmente dependentes do SUS. O único benefício com que podem contar é o seguro obrigatório de veículos automotores terrestres, o DPVAT, que todos os anos é recolhido por todos os proprietários de veículos. Esse seguro beneficia as vítimas ou seus dependentes. Imaginem um chefe de família que é atropelado e morre. Sua família, eventualmente, vai ser indenizada pelo DPVAT e esse dinheiro, que não é muito, será o único recurso material para que aquela família inicie sua lenta e dolorosa recuperação.
Nosso governo omisso e incompetente vem permitindo o crescimento desses números apavorantes. Cabe a nós reagir a isso e cobrar uma atuação firme, convincente e contínua de nossos governantes. Cabe a nós, também, evitarmos as duas principais condições humanas causadoras de acidentes: usar o celular na direção e dirigir alcoolizado. De longe, o uso do celular é a principal causa hoje de acidentes de trânsito inteiramente evitáveis. Não só da parte dos motoristas, mas também dos pedestres. Muitos atropelamentos ocorrem porque o pedestre está digitando no seu celular ou lendo alguma mensagem. Falta-nos, também, a educação para o uso do celular.
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O que é acompanhamento vigiado de câncer de próstata?

08/05/17

O câncer de próstata é um dos cânceres mais prevalentes do homem. Surgem cerca de 200 mil novos casos por ano nos Estados Unidos e cerca de 60 mil no Brasil. No resto do mundo não é diferente, exceto naqueles países muito pobres e atrasados, em que a expectativa de vida é baixa e o homem morre ainda jovem.

O câncer de próstata inicial ou localizado na próstata, tem uma grande chance de ser curado por meio de radioterapia ou cirurgia. Todavia, há uma terceira via, o acompanhamento vigiado, que vem ganhando terreno e tem sido objeto de estudos de grande envergadura.

O acompanhamento vigiado é o seguimento do paciente com câncer de próstata SEM qualquer tratamento. O paciente se submete a exames periódicos, mas só será tratado se o câncer crescer muito depressa ou se o paciente desejar o tratamento. O acompanhamento vigiado é uma invenção de médicos suecos, há algumas décadas. Eles provaram que a grande maioria dos tumores localizados de próstata evolui muito lentamente. Os pacientes não tratados acabariam por morrer de outras causas, que não o câncer de próstata. Essa modalidade de abordagem não foi aceita nos Estados Unidos inicialmente, mas isso vem mudando.

Dois trabalhos científicos de grande envergadura, um nos Estados Unidos, chamado CaPSURE, e outro na no Reino Unido, chamado ProtecT, ambos iniciados nos anos 90, concluíram que o acompanhamento vigiado tem resultados excelentes quando se considera um período de dez anos. A chance de um homem com câncer localizado de próstata morrer depois de dez anos é cerca de 1%. Muito pouco para que ele seja submetido a qualquer tratamento curativo no início da doença.

O acompanhamento vigiado do câncer de próstata inicial, localizado, não é para todos os casos, mas deve ser considerado na maioria dos pacientes com câncer de próstata localizado acima dos 65 anos de idade.

Antes de morrer

02/05/17

Há muitos ditos populares, pronunciados na forma do brinde ou da saudação, que dizem mais ou menos o seguinte: Desejo que você tenha uma vida longa e feliz e que sua morte seja um processo rápido e sem dor. Dito de modo mais resumido: Vida longa e morte rápida. Por trás dessa expressão está o desejo, de todo ser humano, de que seu processo de morrer não seja muito prolongado e que o sofrimento seja mínimo.
Infelizmente, diversos estudos têm revelado que a doença ou o processo degenerativo que leva à morte, dura, em média, vários anos e não isenta de sofrimento o indivíduo nem sua família. Um doente pode ficar “morrendo” por dez anos, com grande sofrimento físico e psicológico.
A medicina atual não tem sido eficaz em reduzir o período de sofrimento que antecede a morte. Pelo contrário, tem, via de regra, prolongado a vida e o sofrimento.
Um estudo recente realizado por The Economist em parceria com a Kaiser Family Foundation, em quatro países – Estados Unidos, Itália, Japão e Brasil, revelou diversos aspectos comuns às diversas culturas. A maioria das pessoas entrevistadas, geralmente adultos que acompanharam previamente a morte de um parente ou amigo, escolheria morrer em casa, se pudesse, e não no hospital ou uma unidade de cuidados paliativos. Essas mesmas pessoas, todavia, em sua maioria, perguntadas sobre o local onde provavelmente morreriam, disseram que seria em hospital ou em outro lugar. Isso ilustra a distância entre o que as pessoas gostariam de receber e o que de fato receberão.
Morrem cerca de 56 milhões de pessoas no mundo todos os anos. A minoria dessas pessoas tem uma boa assistência durante o processo de morrer, particularmente quanto a discussões sobre a morte e cuidados paliativos para aliviar o sofrimento. Um número relativamente insignificante, porém crescente, de indivíduos, recebe cuidados em unidades especializadas em ajudar os pacientes que estão já num processo de morte.

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