junho, 2012

Comemos para viver

25/06/12

Doutor, meu filho não come nada! — Esta é uma reclamação freqüente das mães no consultório dos pediatras. Também de alguns pais e de muitos avós.
Outras mães têm uma queixa diferente:
Doutor, meu filho come demais, está ficando gordo. Dê a ele um remédio para emagrecer.
Quando as crianças são pequenas, inconscientemente os pais relacionam o comer bastante e a gordura com saúde. Tipo bebê Johnson. E isto não é bem verdade, pelo contrário, a obesidade infantil é uma doença.
Do nascimento ao final do primeiro ano de vida, os bebês comem bastante; são alimentados a cada três horas e aos oito meses chegam a aceitar um prato de sopa cheio. Isto se deve ao ritmo acelerado de crescimento deste período da vida.
No entanto, após um ano, o apetite diminui, mas caso a criança continue a aceitar bem o alimento, ninguém fica preocupado ou reclama.
Existem mães que criam o hábito de a criança mastigar o tempo todo; basta o bebê fazer algum barulho, a mãe abre a bolsa e tira um pacote de bolachas. Assim, ele é induzido a comer, comer e comer, sem nem saber o porquê.
É importante memorizar que todos “comemos para viver e não vivemos para comer”, portanto o alimento serve para suprir nossas necessidades físicas e não emocionais. Se ensinamos uma criança a comer para afogar suas tristezas, medos ou raivas, enfiando em sua boa uma mamadeira ou dando a ela um pacote de bolachas para que ela se acalme, é possível que ela assimile a lição e continue a fazer a mesma coisa para se acalmar quando for adulta. São muitas as pessoas adultas que comem para afogar as ansiedades.
Em cada idade a criança necessita de uma quantidade de alimento que a faça crescer e engordar adequadamente.
Elas comem bastante no primeiro ano de vida, mas depois o apetite diminui; então passam a satisfazer suas necessidades com pequenas quantidades de comida (que em geral são bem menores do que a mãe gostaria).
As crianças voltam a comer melhor no início da adolescência, quando novamente terão uma fase de crescimento rápido.
Visite meu site www.momentosaude.com.br

Criança obesa, adulto obeso

25/06/12

Desde que Margarida nasceu acostumou-se a ver seus pais muito mais felizes quando ela comia bem. Quanto mais comia, mais aprovação recebia. Ganhava abraços, beijos e presentes quando comia aquele pratão de comida. Para vê-los felizes, comia bastante, mesmo quando estava sem vontade. Como menina inteligente que era, logo percebeu que para ser rejeitada, devia rejeitar a comida. Para ser aprovada e amada, deveria comer bastante. Como ela queira ser amada, mais comia.
Sempre foi gordinha, mas as tias, os avós e os amigos de seus pais adoravam apertar suas bochechas fofinhas.
Quando entrou na escola tinha sete anos e era bem gordinha. Foi apelidada de bolota logo na primeira semana. Começou a sentir-se rejeitada por ser gordinha. Mas a mãe, em casa, continuava dando-lhe bastante comida e a cobria de carinho. Seu lanche era provavelmente o mais gostoso e o mais cheio de calorias de toda a escola. Preparado pela mãe.
Um belo dia, quando Margarida já estava com seus nove ou dez anos, sua mãe acordou para o fato de que Margarida estava ficando mocinha e uma mocinha gorda. Começou então a implicar com seus lanchinhos, com o tamanho de seus pratos e já não oferecia aquele Toddy antes de ela se deitar.
Pobre Margarida! Talvez nem fosse fome, mas estava tão acostumada a comer o tempo todo! Estava com problemas na escola com seus amiguinhos chamando-a de bolota. Agora tinha também problemas em casa; ninguém parecia satisfeito ao vê-la comer muito.
O que antes era qualidade tinha virado defeito. Ela era obrigada a assaltar a geladeira à noite e, quando alguém a via, levava bronca na certa.
Margarida entrou na adolescência gorda e tornou-se depois uma mulher adulta gorda. Até hoje ela carrega o estigma de ser gorda. É uma pessoa frustrada e infeliz. Sente-se culpada por comer tanto, mas a culpa não é dela. É de seus pais que, bem-intencionados, fizeram dela uma pessoa obesa.
Gordura não é saúde; comer bastante nem sempre é necessário. Comemos para viver e não vivemos para comer.
Uma criança obesa provavelmente será um adolescente obeso e um adulto obeso.
Visite meu site www.momentosaude.com.br

Sífilis também é DST

18/06/12

As doenças venéreas mudaram de nome: hoje se chamam DST – Doenças Sexualmente Transmissíveis, ou Doenças Sexualmente Transmitidas. A mudança se deve a duas razões: uma técnica e outra emocional. A razão técnica é que a palavra “venérea” significa literalmente “adquirida de mulher” e isto é absolutamente incorreto, além de preconceituoso.
As doenças sexualmente transmissíveis podem ser adquiridas por meio de relações sexuais onde tanto o homem como a mulher são os agentes transmissores, como podem ser transmitidas por mecanismos não-sexuais, por exemplo a transfusão de sangue.
A razão emocional é que o termo venéreo é muito negativo e marca com muita força o paciente, ao passo que DST é mais suave. Você já pensou ouvir de sua filha: “Pai, estou com uma doença venérea”? Não soa melhor: “Mãe estou com uma DST”?
Das DST a sífilis é uma das mais freqüentes hoje em dia. Sabe o que está acontecendo? As pessoas estão tendo um relacionamento sexual mais aberto e mais intenso, com freqüente troca de parceiros. A sífilis está sendo transmitida principalmente entre os jovens. As moças que têm sífilis engravidam e passam as bactérias da sífilis para os seus bebês durante a gestação. Aí nascem crianças surdas ou com defeitos nos ossos ou com retardamento mental ou ainda com problemas cardíacos.
No Brasil nascem crianças com sífilis todos os dias, o que está preocupando muito o Ministério da Saúde.
O que fazer de prático? Mudar o comportamento sexual das pessoas? Isto leva muito tempo e talvez não aconteça. A grande saída é o pré-natal. Sabe por quê? Porque a sífilis só passa da mãe infectada para a criança depois do quarto mês de gestação. Na primeira metade da gestação a criança está protegida. Se durante o pré-natal o médico descobrir a sífilis na mulher, dá tempo de tratar e a criança ficará livre da sífilis. É simples, mas não se faz.
No Brasil os exames de pré-natal são feitos numa minoria de mulheres, embora esteja disponível para todas. Que pena!
Preste atenção: Faça o pré-natal, aconselhe o pré-natal, exija o pré-natal e salve uma criança da sífilis congênita.
Visite meu site www.momentosaude.com.br

Sífilis é…

18/06/12

Sífilis é uma doença conhecida há muitos séculos e que existe há milênios. É possível que ela acompanhe o ser humano desde o início. No entanto, até hoje ninguém sabe como ela surgiu e como foi exatamente sua disseminação por todos os continentes.
A sífilis passou a ser uma doença comum na Europa a partir do século XV e desde então matou centenas de milhares de pessoas.
A sífilis é uma doença que se transmite principalmente de duas maneiras hoje em dia: por relacionamento sexual e, na gravidez, da mãe para o nenê. Anos atrás a transmissão por meio de transfusão de sangue foi considerável; hoje não mais, graças às leis mais rigorosas que exigem os testes específicos para sífilis de todo o sangue a ser transfundido. É improvável que alguém venha a se contaminar por intermédio do sangue.
A sífilis é uma das clássicas doenças sexualmente transmissíveis e foi conhecida como grave problema de Saúde Pública até mais ou menos o final da II Guerra Mundial, em 1944, quando se descobriu a penicilina e a cura da sífilis passou a ser alcançada em 100% dos casos.
A sífilis era, até aquela época, o que a AIDS é hoje, com a diferença que a sífilis matava muito mais do que a AIDS mata atualmente. Com a penicilina a sífilis quase acabou e o medo de se pegar a doença também. Por causa dessa falta de medo e também em razão da mudança do comportamento sexual, a partir dos anos 60 a sífilis voltou e está de novo na moda.
Hoje em dia, no Brasil, a sífilis é uma doença muito temida, principalmente a sífilis congênita, aquela que se transmite da mulher grávida para o seu filho por intermédio da placenta e que já está presente na criança quando nasce.
O Ministério da Saúde calcula que três ou quatro grávidas em cada 100 têm sífilis. A criança nascida de uma mulher com sífilis tem cerca de 85% de chance de estar também com sífilis.
Saiba que a sífilis voltou e está crescendo de modo significativo. Suas principais vítimas agora são as crianças.

Visite meu site www.momentosaude.com.br

Coração e coronárias

01/06/12

O coração precisa ser oxigenado como qualquer outro órgão e recebe sangue bombeado por ele mesmo por meio das artérias coronárias. Porque trabalha muito o coração recebe muito sangue. Estas artérias coronárias penetram na musculatura do coração e levam o precioso oxigênio, que é vital para as células.
As coronárias são tubos elásticos que vão se enrijecendo e obstruindo com o envelhecimento, o que dificulta a chegada do sangue a toda a musculatura cardíaca. Não há cura para isso, isto é, a velhice é a marca registrada da vida. No entanto, esse envelhecimento pode ser acelerado sob determinadas situações, ao que se dá o elegante nome de fatores de risco da doença coronariana. Trocando em miúdos: quais são as condições em que as coronárias entopem mais depressa?
São diversas, mas destacarei os sete fatores mais importantes.
Primeiro: Pressão alta. A pressão elevada danifica as artérias e também a musculatura do coração.
Segundo: Diabetes. Os diabéticos infelizmente têm um envelhecimento de todas as artérias do corpo muito acelerado, principalmente quando não se cuidam direito e deixam o açúcar alto no sangue.
Terceiro: Herança. Existem certas famílias em que a doença das coronárias é freqüente. Quem pertence a uma família assim corre um risco maior.
Quarto: Cigarro. O hábito de fumar provoca obstrução mais grave e mais precoce das coronárias. Por isso você vê na televisão todos o dias o seguinte: “O Ministério da Saúde adverte: o cigarro faz mal à saúde.”
Quinto: Colesterol e triglicérides acima do normal no sangue. Essas gorduras naturais fazem mal acima de um certo nível e provocam obstrução das coronárias, até mesmo em pessoas bem jovens.
Sexto: Estresse. A agitação da vida moderna e o corre-corre das cidades grandes são sem dúvida o grande fator de risco do século XXI. Somos uma civilização muito estressada e isto leva à doença coronariana.
Sétimo: Álcool. O alcoolismo acelera o envelhecimento das coronárias e também do fígado, do pâncreas e de outros órgãos.
Se você pretende viver bastante, cuide do seu coração e pule fora dos grupos de risco que você puder. Talvez assim você viva mais e melhor.

Visite meu site www.momentosaude.com.br