setembro, 2011

Meninges e meningite

28/09/11

Se você um dia desses tiver a oportunidade de serrar alguém pelo meio, de cima para baixo, do topo da cabeça até a bacia, terá a oportunidade de observar um pouco da anatomia humana. Ficará espantado com a assimetria do corpo humano e com a quantidade de órgãos diferentes que o corpo humano possui. Vai verificar, por exemplo, que o cérebro, que nós médicos preferimos chamar de encéfalo, está bem protegido dentro de uma caixa de osso — o crânio. Por cima do crânio, o couro cabeludo e, naturalmente, os cabelos. Por baixo do crânio, revestindo o cérebro, você observará umas membranas finas e delicadas chamadas meninges. Essas membranas revestem todo o cérebro e toda a medula que está dentro da coluna vertebral. As meninges são uma espécie de embalagem protetora do tecido nervoso, que é um tecido extremamente nobre.
Assim que você completar sua dissecção, estará apto a entender o que é meningite. Meningite é a inflamação daquelas membranas que revestem o cérebro, dentro do crânio. Elas ficam inchadas e podem comprimir o cérebro que envolvem. Nada mais do que isso.
Se você lê jornais e revistas ou vê televisão sabe que, vira e mexe, estamos tendo algum surto de meningite, especialmente nas grandes cidades. Nas grandes epidemias, milhares de pessoas morrem de meningite.
Existem muitas causas diferentes de meningite, desde a meningite traumática, provocada por uma batida forte na cabeça, até a meningite meningocócica, essa que mata e que está por aí. Felizmente, a maior parte dos casos de meningite que enfrentamos é a meningite viral, uma espécie de gripe que promove a inflamação temporária e benigna das meninges.
A principal forma de apresentação das meningites é a combinação de dor de cabeça e vômitos. É claro que outras coisas podem acontecer, como o aparecimento de manchas vermelhas pelo corpo, febre, convulsões, rigidez do pescoço e outras, mas dor de cabeça e vômitos estão presentes com grande freqüência.
O tema é complexo e grave. Por ora basta saber que o cérebro e a medula são revestidos pelas meninges e que à sua inflamação se dá o nome de meningite.

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A pressão alta é traiçoeira

28/09/11

Quero contar a história de um homem muito bom, parecida, talvez, com a história de alguém que você conheça. Chamava-se Paulo e tinha mulher e quatro filhos. Era um homem sem vícios e aparentemente sem doenças. Trabalhava noite e dia como carpinteiro e era um dos melhores de sua terra. Ia do trabalho para casa e de casa para o trabalho. Suas forças eram repartidas no cuidado com a família e no trabalho.
Um dia Paulo teve uma forte dor de cabeça durante o trabalho e desmaiou. Foi levado a um hospital e ficou internado por cinco dias. Saiu de lá com a má notícia de que tinha pressão alta e que teria que tomar remédios e fazer consultas médicas periódicas pelo resto de sua vida. Para alguém que nunca havia ido ao médico e se sentia bem, a notícia caiu como uma bomba sobre ele.
No início ele se preocupou e fez o tratamento, mas depois relaxou. Ele não sentia nada e achava desnecessário tomar remédios. Às vezes, quando tinha mal-estar ou dor de cabeça, ele se lembrava do que os médicos tinham dito e tomava os comprimidos. Muita gente faz como ele fazia, só toma o remédio da pressão quando se sente mal.
Um certo dia Paulo teve um derrame cerebral e ficou entrevado numa cadeira de rodas durante sete anos. Não podia andar, não falava, usava fralda e babador. Tornou-se um peso e uma tristeza para toda a família. Finalmente morreu de outro derrame cerebral, antes dos 50 anos.
A história de Paulo se repete todos os dias, infelizmente. Muitas pessoas com pressão alta não têm a mínima precaução porque não se sentem mal e acreditam que nada de ruim vai lhes acontecer.
A pressão alta pode não dar qualquer sintoma, mas é traiçoeira do mesmo jeito. Quando não mata, aleija.
Não tenha o destino de Paulo. Cuide-se um pouco melhor em respeito a si mesmo e aos que você tanto quer bem. Vá ao Centro de Saúde ou a outro serviço médico e controle sua pressão de vez em quando. A próxima vítima pode ser você.

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A pressão alta é democrática

24/09/11

Se você não tem pressão alta, certamente conhece alguém muito próximo que sofre desta doença. Pode ser um parente, amigo, ou companheiro de estudo ou de trabalho. Talvez um vizinho ou um conhecido. Sabe por quê? Porque a pressão alta ou hipertensão arterial é uma das doenças crônicas mais comuns entre os adultos. Aparece nas crianças também, mas entre os adultos é frequentíssima. Tenho certeza de que perto de onde você mora existem alguns hipertensos. Ou não?
A pressão alta é uma das doenças mais democráticas que existem. Todos podem tê-la, ricos ou pobres, brancos, pretos ou amarelos, gordos ou magros, pessoas agitadas ou pessoas tranqüilas, fumantes ou não-fumantes, moços ou velhos, esportistas ou sedentários. É evidente que a pressão alta tem maior incidência em determinados grupos da população – entre obesos, fumantes, diabéticos e idosos ela é mais comum. O que não existe é uma população imune à hipertensão arterial. Todo ser humano pode tornar-se hipertenso durante sua vida.
Uma vez instalada, a pressão alta começa a destruir as artérias por onde o sangue passa, ao que se dá o nome de arteriosclerose. Qualquer parte do corpo pode ser afetada. Em algumas pessoas as artérias do cérebro são afetadas mais intensamente, o que deixa a pessoa esquecida, paralítica ou maluca. Em outras pessoas, os olhos são prejudicados primeiro, o que pode chegar até a cegueira. O coração, que faz o grande trabalho de bombear o sangue para todo o organismo, naturalmente sofre mais. Quase todos os hipertensos têm lesões em seus corações, maiores ou menores. Outra parte do corpo que pode ser afetada pela hipertensão é a região genital, levando à impotência sexual.
Antigamente, por falta de remédios eficazes, a pressão alta matava ou aleijava muito cedo na vida dos hipertensos. Hoje, com a evolução da medicina, a pressão alta tem tratamento relativamente simples e, conforme sua causa, até cura.
A pressão alta é muito freqüente e pode causar sérios danos à saúde, mesmo quando não se acompanha de sintomas. Vá ao médico periodicamente e verifique, entre outras coisas, se sua pressão arterial vai bem. Medir a pressão não dói.

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O automóvel e a pressão alta

17/09/11

Você provavelmente já andou muitas e muitas vezes de moto, carro, trem, caminhão ou ônibus. Provavelmente você já passou pelo aborrecimento de estar no veículo quando ele quebrou. Não foi muito chato? Já aconteceu comigo algumas vezes. Das muitas quebras de veículos motorizados, a queda ou a elevação na pressão do óleo do motor ou a elevação da temperatura e da pressão dentro do radiador, são causas muito freqüentes de defeitos. Nas corridas de Fórmula 1 não é raro ver um carro abandonando a prova debaixo de fumaça e vazamento de óleo depois de uma dessas alterações de pressão.
Dentro de nós, que não somos máquinas comuns, somos máquinas vivas e extremamente complexas, corre sangue por uma tubulação chamada circulação. O sangue é bombeado pelo coração para todas as partes do corpo, mesmo as mais distantes. Para chegar até os pés, por exemplo, tem que haver uma certa pressão, se não o sangue não chega lá e os pés ficam frios. Pois é, quando o organismo trabalha com pressões muito altas, o que nós médicos chamamos de hipertensão arterial, tal como nos automóveis pode ocorrer uma “quebra”. A circulação pode romper-se, alguns vasos podem entupir, a bomba (que é o coração) pode se dilatar…
Cuidar da saúde do corpo é muito mais importante do que cuidar da saúde do automóvel, o que nem sempre fazemos. A pressão alta é facilmente detectada por qualquer médico ou enfermeiro e pode ser tratada com grande sucesso. Infelizmente, há um montão de hipertensos e só um pequeno número deles está em tratamento. Sabe por quê? Por falta de conhecimento ou medo. Muitos se sentem bem e não sabem que a pressão alta pode matar ou aleijar sem aviso prévio. Pensam que a pressão alta deve ser tratada só quando ocorrem sintomas como dor de cabeça, tontura e mal-estar. Estão totalmente enganados porque a pressão alta pode não provocar qualquer sintoma durante vários anos.
Todos que têm bom senso e pretendem aproveitar a vida devem ter suas pressões medidas de vez em quando. Se hipertensos, que procurem tratamento enquanto é tempo, antes que a “máquina” quebre.
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Pressão alta é…

07/09/11

Se eu perguntasse a você neste momento o que é hipertensão arterial, você provavelmente teria alguma dificuldade para responder. Mas, se eu perguntasse o que é pressão alta, certamente você responderia sem hesitação. Hipertensão arterial ou pressão alta é uma condição que se caracteriza por uma pressão mais alta do que o normal dentro das artérias, que são os canais por onde o sangue flui do coração para todo o organismo.
A pressão alta não é necessariamente uma doença, ao contrário do que você está acostumado a ouvir. Por exemplo: Você que não tem pressão alta, mas uma pressão normal, pode ficar imediatamente com pressão alta se passar por um susto muito grande, ou outra emoção igualmente forte. Passado o susto, a pressão cai para os níveis normais. Um atleta, quando está no auge de seu esforço muscular, naquele momento tem pressão alta, que se normaliza logo depois. Durante o ato sexual, a mesma coisa – a pressão sobe.
No entanto, se a pressão fica alta durante a maior parte do dia e da noite, mesmo na ausência de esforços ou de emoções, então isto é doença, é hipertensão arterial crônica, e pode matar. O hipertenso que não se cuida vive em média seis anos menos que o indivíduo que tem pressão normal.
A pressão alta pode surgir em qualquer idade, até na infância, mas geralmente aparece mais tarde, depois dos 35 anos. Ela pode ser causada por tendência de família, excesso de peso, mau funcionamento dos rins, distúrbios hormonais, cigarro demais, álcool demais e, principalmente, por ansiedade demais.
Quem tem pressão alta tem que se tratar porque a pressão alta mal tratada, ou não tratada, encurta a vida ou diminui a sua qualidade. Quem sofre de pressão alta e não se trata pode ficar cego, impotente, com insuficiência renal, insuficiência cardíaca e muitas outras doenças graves e incapacitantes. No entanto, quem tem pressão alta e é bem cuidado pode ter uma vida inteiramente normal e produtiva.
Ter pressão alta não é o fim. O fim do mundo é ter pressão alta e não se tratar neste início de século XXI.
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Entre um e três anos, cuidado!

03/09/11

As crianças entre um e três anos de idade são muito ativas e têm necessidade de investigar tudo o que veem. São movidas por uma curiosidade insaciável e por uma perigosa ingenuidade. Não se contentam em olhar, precisam tocar, pôr na boca, cheirar, enfiar o dedo, espremer e escutar. Crianças nesta idade usam os cinco sentidos para conhecer algo novo: O tato, a audição, a visão, o olfato e o paladar.
Nesta idade elas sobem em tudo, abrem portas e gavetas, retiram coisas dos armários e adoram brincar com água. Estão interessadas só no que estão fazendo naquele momento e não têm consciência dos perigos que possam estar presentes. Ficam totalmente tranquilas e seguras só quando estão dormindo.
Preste atenção para algumas medidas práticas se você tem ou pretende ter um dia uma criança em casa sob seus cuidados, ainda que como visita.
Portas ou caminhos para escadas, depósitos, ruas ou outras áreas perigosas devem ser bloqueados.
Verifique móveis quanto ao aspecto de segurança. Use tapetes que não deslizem na banheira. Instale grades em todas as janelas acima do primeiro andar.
A cozinha é perigosa. Nunca deixe uma criança só na cozinha. Ensine o significado de quente. Ela tem capacidade para entender. Não deixe os cabos de panelas ao alcance das mãos. O gás do fogão deve estar desligado quando não estiver em uso. Esconda os fósforos. Cubra as tomadas elétricas com protetores próprios.
Brinquedos devem ser inquebráveis, sem partes pequenas que possam ser engolidas. Não dê chiclete ou pipoca para crianças até três anos de idade. Elas podem se engasgar e sofrer asfixia.
Nunca deixe uma criança pequena sozinha na banheira. Mesmo água rasa é perigosa. As crianças devem ser acompanhadas por um adulto sempre que forem à piscina e é aconselhável o uso de bóias sempre, mesmo nas piscinas de crianças.
Crianças entre dois e três anos não devem brincar na rua porque são bastante rápidas e imprevisíveis.
Fique de olho na criança de um a três anos porque se ela tiver saúde, será um furacão e vai precisar, além de seus anjos da guarda habituais, também de você.
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AIDS sem querer

03/09/11

Denise é uma menina muito linda de 17 anos. E vai morrer dentro de pouco tempo. Ela tem AIDS e apresenta diversas complicações decorrentes de um câncer de pele chamado sarcoma de Kaposi, muito frequente em aidéticos.
A história de Denise não é muito diferente da história de muitas moças jovens e bonitas como ela. Denise arrumou um namorado na escola quando tinha 15 anos. Linda como é não foi difícil arranjar um garotão bem bonito também, na verdade um dos mais cobiçados de toda a escola. No início eles formavam um belo par e os pais dela ficaram contentes. Pouco tempo depois Denise entrou em crise. Descobriu que seu namorado usava cocaína e diversas outras drogas “pesadas”.
Ela desmanchou o namoro. Depois de seis meses começou a ficar doente. Perdeu o apetite, teve muita diarréia e emagreceu muito. Sua família atribuía seu problema à decepção que ela havia passado – seria tudo emocional. Um médico da família chegou a receitar antidepressivos fortes para ela. Como não melhorasse, foi de novo ao médico que, depois de fazer algumas perguntas e muitos exames, chamou seus pais e contou que Denise estava com AIDS. Ela havia “transado” algumas poucas vezes com seu namorado e ele havia transmitido o vírus da AIDS a ela pelo esperma. Ele não usou camisinha e ela ficou sem jeito de pedir que usasse.
Denise vai morrer e seu ex-namorado também. Ele porque optou pelo mundo das drogas, ela porque não soube se cuidar. Foi extremamente ingênua.
É uma história triste, horrorosa, mas verdadeira. A AIDS está conosco. Ela veio para ficar por muitos e muitos anos. Ela está dizimando populações inteiras da África e já matou milhões de pessoas no Ocidente nos últimos trinta anos, quase todos jovens. Continuará matando até que surja uma vacina eficaz, o que é esperado para dentro de poucos anos.
A AIDS pode ser combatida hoje, enquanto a vacina não vem, com informações corretas e cuidados práticos.
Você também é responsável pela disseminação da AIDS. Informe-se e passe a informação para as pessoas que convivem com você. Quem será a próxima vítima da AIDS?
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