Dívidas: negociar com o banco pode reduzir valores em até 40%

Valor devido não pode ser descontado direto da conta corrente sem consentimento

moedaAh, dívidas! Melhor não tê-las, é claro. Muitas vezes só percebemos o tamanho do problema tarde demais, quando os parcelamentos e financiamentos parecem não ter fim (e às vezes não têm mesmo…). Deveria ter economizado, poupado, se esforçado, se segurado, mas não deu. Só resta ao consumidor pagar o que deve. Mas, ainda assim, há sempre um jeito de resolver as coisas sem sofrer. Neste caso a solução é negociar! E também aprender pra não se meter em furada de novo.


Cheque especial: o grande vilão

Segundo a advogada especializada em direito do consumidor Maria Helena Campos de Carvalho, os juros mais altos são os do cheque especial.

advogada“Ele é especial para o banco, não pra você”, lembra.

O melhor é não depender desse “bônus” disfarçado de dívida. Algumas pessoas contam com esse valor como se fosse parte do salário. Não é. Não se iluda. Só vale a pena usar esse recurso se o banco oferecer um período sem cobrar juros. Mas, mesmo assim, é bom evitar.

Os juros podem chegar a 14% ou mesmo 18%, valores muito altos para o consumidor conseguir pagar depois. Apesar de altos, o banco pode cobrar já que fez um empréstimo ao cliente.

“O juro nada mais é que o pagamento pelo uso do capital alheio. É o lucro do empréstimo do dinheiro. Assim, ele é devido”, explica Maria Helena.

Por isso, se você precisa de dinheiro para fazer uma compra ou quitar as contas do mês, prefira um empréstimo na conta corrente. Os juros são bem menores, em torno de 4,5%.

Atenção com os contratos

Segundo a advogada, existem inúmeros contratos bancários, cada um com características e leis para regulá-los. O cliente deve ficar atento aos juros que serão cobrados, que constam nesse documento.

“Você não comprou um bem do banco. Você comprou o que o banco vende: dinheiro. E o valor comprado é atualizado”, esclarece.

Além dos juros determinados para as parcelas, há também um outro tipo de cobrança, os juros moratórios. Eles são cobrados se o cliente atrasar o pagamento do empréstimo e, neste caso, também terá que arcar com a multa prevista legalmente no contrato. Por isso você pode fazer um empréstimo de R$ 5 mil e acabar devendo R$ 30 mil.

Mas é necessário checar se as contas e os juros foram cobrados corretamente, o que quase ninguém faz. Se você não entende muito do assunto, vale contratar um contador para conferir tudo.

“Muitos erros se encontram nas contas, que muitas vezes também efetuam cobrança de valores indevidos”, conta Maria Helena.

A hora de se livrar da dívida

Você já se arrependeu, fez as contas e agora é a hora de negociar o pagamento da dívida. Não fique acanhado. É sempre melhor resolver os problemas o quanto antes em vez de deixar as coisas para a “segunda-feira”. Conte novamente com a ajuda de um contador e faça uma proposta para pagar as dívidas.

dinheiro“Existem acordos que expurgam muitos valores devidos, gerando uma economia de até 30% ou 40%”, explica.

É claro que você não vai fazer ameaças e gritar com o gerente do banco implorando uma solução. Calma. O contador pode te auxiliar nisso também. Saber conversar é o que vai salvar o seu bolso. Há inclusive pessoas especializadas nos bancos para tratar desses assuntos.

“O banco sempre quer negociar. Ele não tem interesse algum em penalizar alguém. Tem interesse em resolver os processos e receber”, conta Maria Helena.

O que não pode acontecer é ter o valor das parcelas descontado diretamente da conta do cliente, sem o consentimento dele. O salário do consumidor que vai para a conta do banco, por lei, tem natureza alimentar. Só podem ser descontados INSS, Imposto de Renda e pensão alimentícia.

“Tudo mais é expressamente proibido e viola os direitos dos trabalhadores, garantidos na CLT. Você pode ter a dívida, mas quanto e como vai pagar é com você, não com eles”, alerta a advogada.

Infelizmente isso ocorre com algumas pessoas, mas é um abuso e caracteriza violação da lei.

Quem ainda não tinha aprendido a lição, agora vai no mínimo pensar antes de assumir uma dívida, certo? Não dê um passo maior que a perna. Se não pode comprar agora, espere mais um mês. E se for urgente, veja com o seu gerente uma opção de empréstimo que não acabe com o seu dia, seu mês, seu ano. Negocie sempre!

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2 Respostas para “Dívidas: negociar com o banco pode reduzir valores em até 40%”

  1. luziasantos medeiros disse:

    muito bom esse tipo de esclrecimento muitas pessoas como eu nesse pais nao sabe os direitos do consumidor poderia sugerir mais sobre o assunto. legal valeuuuuuuuuuuu!

  2. meus caro sras: e srs: jornalista, essa informação é de grande importancia para todos que se deixa levar por conversas de outros, muito legal…


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