Arquivo da categoria ‘Pontos Turísticos’

Pedra e Bronze…

18/04/11

Escultura Equus. Spencer M. Pupo Nogueira. Foto:  Arnaldo Silva.

Escultura Equus. Spencer M. Pupo Nogueira. Foto: Arnaldo Silva.

Essa cidade como tantas outras, esta repleta de estatuas em homenagem a cidadãos que construíram ou representaram essa grande metrópole. Antigamente o zelo para uma homenagem era muito maior, como podemos observar nos monumentos a Carlos Gomes, Campos Salles, Dom Nery e tantos outros espalhados pela cidade, pois a pedra e o bronze era uma das melhores formas de valorizar a memória de uma cidade e promover o civismo. Quantas vezes parei em frente ao monumento tumulo de Carlos Gomes para explicar para alguém quem era aquele campineiro!

Mas, hoje se não houver um forte apelo populacional, político ou da iniciativa privada, veremos apenas uma simples placa de concreto com o nome do homenageado que com o tempo cai no esquecimento por falta de manutenção. Campinas esta repleta de praças, ruas e edifícios nesta situação e precisa urgentemente de um especialista em design para remodelar a identidade visual desse tipo de identificação, pois a existente é de um profundo mau gosto artístico.

Jardim Tupi. Campinas/SP. Foto: Arnaldo Silva.

Jardim Tupi. Campinas/SP. Foto: Arnaldo Silva.

É fato que em toda cidade existe arte nas ruas e para quem nos visita isso reflete a forma que a cidade é vista! E Campinas desta forma não estará sendo vista como um grande centro cultural e artístico que sempre foi. O bronze que molda nossa historia precisa de limpeza, ainda que água e sabão!

A historia de uma cidade passa inevitavelmente pela conservação e cuidado com tudo que a representa. Nosso passado nos atesta como um grande centro cultural e artístico, mas se não o conservarmos e valorizarmos, teremos apenas o retrato de uma cidade que deixa sua historia a mercê do tempo, do ferrugem, do mato alto, do descuido e da falta de preservação de suas estátuas e monumentos existentes nas praças públicas.

Indo para Sousas, por exemplo, qual cidadão nunca observou um enorme cavalo feito em arame que homenageia o esporte, instalada próximo a Hípica, como homenagem ao esporte, patrocinada pelos moradores próximos. Uma obra espetacular do arquiteto Spencer de Moraes Pupo que é um presente desde Campineiro nascido em Sousas, para um cidade que pouco reconhece e valoriza seus artistas. A escultura denominada “Equus” é belíssima e devia, assim como outras, receber luzes, ter a grama aparada freqüentemente e receber todos os cuidados para que seu material continue em bom estado.

É você é um campineiro um atento ao que existe em sua cidade ou passa despercebido diante de tudo o que existe ao seu redor? Já parou para pensar o porquê de nossas ruas e praças do centro da cidade terem um nome ligado a algum personagem ou fato da história da cidade ou do pais? Quantas fotos você possui ao lado de algo assim, não apenas em Campinas, mas em qualquer lugar onde tenha visitado?

Lidgerwood…

25/03/11

Museu da Cidade. Av. Andrade Neves. Foto: Arnaldo Silva.

Museu da Cidade. Av. Andrade Neves. Foto: Arnaldo Silva.

Estou na Avenida Andrade Neves em pé no cruzamento com a Avenida Dr. Campos Salles, obviamente em Campinas. Espero um Pedreiro e um servente. Há uma reforma a fazer…

As vezes penso que esse tipo de profissão não mais existirá daqui um tempo. Os processos industriais, automáticos e robotizados, invadiram também a construção civil e sobrou pouco espaço para a arte. Considero um bom Pedreiro um artista e cada vez mais não se encontra bons profissionais disponíveis no mercado.

Divagando entre uma coisa e outra, enquanto espero, observo na minha frente a Estação Ferroviária, palco de um tempo que não mais existe. Logo atrás um túnel que liga aqui com lá ou lá com aqui. Tudo muito rápido, veloz e estressante. Um motoqueiro, entre centenas que vi passar, brada com um taxista por não ter conseguido ultrapassá-lo.

Museu da Cidade. Av. Andrade Neves. Foto: Arnaldo Silva.

Museu da Cidade. Av. Andrade Neves. Foto: Arnaldo Silva.

Percebo o abandono de um prédio antigo atrás de onde estou. Observo rapidamente e descubro que é um museu. O Museu da Cidade, onde era uma antiga fundição de um inglês que tem seu nome gravado na historia campineira. Penso em fundição, penso na arte das esquadrias e janelas de antigamente. Não se soldava, se fundia! Veja a imagem acima e me diga como isso foi feito.. É ferro ou bronze? E os detalhes das janelas?

Na espera que é longa começo a observar as pessoas. Cada um com uma história, um horário. Enquanto fotografo a Fundição Lidgerwood um senhor da melhor idade, me diz com dificuldades que eu faço bem em tirar o retrato, pois daqui a vinte anos não mais existirá… e sai andando sem me dar chance de agradecê-lo ou contestá-lo.

Vejo como existem muitos hotéis por aqui. Alguns, devem ser da época de outro da Estação Ferroviária, com seus trens para São Paulo. Vejo cinco até onde a vista alcança. Entre carros, motos e ônibus, a vida se esvai e também se reconstrói. Alias, o Pedreiro chegou…

Museu da Cidade. Av. Andrade Neves. Foto: Arnaldo Silva.

Museu da Cidade. Av. Andrade Neves. Foto: Arnaldo Silva.

Museu da Cidade. Av. Andrade Neves. Foto: Arnaldo Silva.

Museu da Cidade. Av. Andrade Neves. Foto: Arnaldo Silva.

Mãe-Preta…

18/03/11

Monumento Mãe-Preta. Largo São Benedito. Campinas/SP. Foto: Arnaldo Silva.

Monumento Mãe-Preta. Largo São Benedito. Campinas/SP. Foto: Arnaldo Silva.

 

Monumento Mãe-Preta. Largo São Benedito. Campinas/SP. Foto: Arnaldo Silva.

Monumento Mãe-Preta. Largo São Benedito. Campinas/SP. Foto: Arnaldo Silva.

Houve um tempo em Campinas que existiam muitas fazendas e para mante-las era necessário muitos escravos e escravas. Nossa cidade esta repleta de lembranças sobre essa época e ainda é possível ver parte dessa historia em monumentos, fazendas , ruas, nas antigas casas-grande, prédios ainda existentes daquele período e até no dia-a-dia desta metrópole que não cuida totalmente de seu patrimônio cultural. A Rua 13 de Maio por exemplo, tem esse nome porque? Em outro post eu explico, pois ainda não tenho nenhuma foto deste centro comercial e também palco da história dos negros e escravos de Campinas.

Por exemplo, você conhece o monumento acima? A estatua, entre outras coisas, retrata o momento sublime da amamentação. Uma mulher negra amamentando uma criança, talvez branca, como se fazia na época em que uma das funções das escravas era dar leite aos filhos e filhas de suas senhoras. Algo comum na época das fazendas de café que faziam a riqueza desta cidade…

Essa relação íntima entre a escrava e o menino branco se dava no inicio ao amamentar e continuava até sua criação. As amas-de-leite representavam de certo modo, até certa idade da criança, o sentimento maternal e afetivo, onde de certa forma o sentido da escravidão era de certa maneira superado.

Monumento Mãe-Preta. Largo São Benedito. Campinas/SP. Foto: Arnaldo Silva.

Monumento Mãe-Preta. Largo São Benedito. Campinas/SP. Foto: Arnaldo Silva.

A estatua existente em Campinas, esta em frente a Igreja São Benedito, construída pelos homens negros livres, em devoção ao santo. A igreja dos negros, como se dizia na época, seria construída próximo ao cemitério onde eram enterrados os escravos cativos. Ali, cravada próximo ao famoso Largo São Benedito, ponto de prostituição de travestis há muitos anos, esta a estatua feita em bronze, que possui algumas partes do corpo da mucama em proporções maiores do que a realidade.

A imagem da escrava negra jovem e de estimação que era escolhida para auxiliar nos serviços caseiros ou acompanhar pessoas da família, e que, por vezes, era a ama-de-leite, mesmo sem ter filhos, tem origem na replica da existente em São Paulo no Largo Paissandu feita pelo escultor Júlio Guerra.

 

Monumento Mãe-Preta. Largo São Benedito. Campinas/SP. Foto: Arnaldo Silva.

Monumento Mãe-Preta. Largo São Benedito. Campinas/SP. Foto: Arnaldo Silva.

Monumento Mãe-Preta. Largo São Benedito. Campinas/SP. Foto: Arnaldo Silva.

Monumento Mãe-Preta. Largo São Benedito. Campinas/SP. Foto: Arnaldo Silva.

Campinas de todas as tribos…

17/03/11

Campinas é uma cidade moderna, em todos os sentidos possíveis. Moderna porque consegue conciliar desenvolvimento tecnológico de ponta com varias áreas sem saneamento básico. Consegue abrigar umas das melhores universidades do mundo e ao mesmo ter uma péssima rede municipal de ensino, na qual há uma extensa gama de problemas como analfabetismo funcional em series avançadas, professores mal pagos, falta de professores. Mas nem tudo é sodomia política em Campinas.

Ela também é moderna no sentido de que apesar dos pesares como o preconceito Neandertal de alguns grupos, abriga uma multicuturalidade incrível, fruto de novas relações sociais. Dentre esses grupos podemos destacar: grupos organizados ou não de homossexuais, travestis e transexuais (grupo Identidade), de negros (Educafro, Fojune, Jongo Dito Ribeiro, Capoeira Ibeca, Coquinho Baiano), inúmeros templos de inúmeras vertentes do protestantismo, templo budista (inaugurado ano retrasado), uma mesquita, inúmeros terreiros de Umbanda e Candomblé (na região do Ouro Verde há pelo menos uns dois) e nem é preciso citar a Igreja Católica, Movimentos Sociais dos mais diversos, como o Movimento dos trabalhadores Desempregados, Movimento dos Trabalhadores sem Teto, etc. Não vou citar todos.

Onde eu queria chegar: essas instituições não são nada sem as pessoas que as compõem, isso é obvio, mas também nãos seriam muita coisa sem as praticas culturais que as caracteriza. Por isso acho que se um amigo, parente ou conhecido viesse a Campinas e pedisse a mim que mostrasse a cidade a ele eu mostraria esse nosso privilegio de ser uma torre de babel, assim como Nova York, Cidade do México, São Paulo, etc.

Bom, começaria pelas maravilhosas heranças africanas e o resultado de séculos de resistência da cultura afro-brasileira como por exemplo o Jongo Dito Ribeiro e os terreiros de Candomblé e Umbanda. Os Jongueiros por eles mesmos:
http://www.youtube.com/watch?v=Y9afQa7Il9Y&feature=player_embedded#at=56

“Somos jongueiros, formados por um grupo de pessoas e familiares, que reconstitui a manifestação do Jongo em Campinas/SP através da memória de Benedito Ribeiro, de rodas com toque, canto e dança, com o objetivo de compartilhar e continuar com essa cultura ancestral. Nossa Missão é reconstituir a cultura ancestral do jongo nos mais diversos espaços, para todas as pessoas de diferentes credos, etnias e idades, priorizando as comunidades e grupos que atuam no universo da cultura afro brasileira.”

Inclusive no próximo dia 20 de Março de 2001, haverá uma feijoada na sede do Jongo na Fazenda Roseira que se localiza na Av. Jonh Boyd Dunlop, para quem se interessar em ir as informações estão no fim dessa prosa.

Num outro final de semana levaria esse meu amigo para ouvir um bom e velho Rock`n Roll no Woodstock Music Bar, onde é possível ouvir bandas cover até mesmo do Led Zeppelin, Beatles, Legião Urbana e Pink Floyd, sensasional! Num outro fim de semana iria a outro bar, a Toca do Ursão, claro se ele gostasse de um som mais pesado (muito mais). A toca é um bar da periferia de Campinas, que abre espaço para as bandas de rock tocar mostrar seus trabalhos.

Outro dia quem sabe, se a vida não ruísse, tomaria um chopp numa boa boate Gls, tipo de ambiente que não deixa a desejar em Campinas, pois temos a Base, a Pride e muitas outras na região do Centro e Castelo. A alteridade é realmente edificante!

Bom, se não chovesse e fizesse um dia bonito iríamos na Estação Astronômica de Campinas em Joaquim Egidio, olhar os astros e se lembrar do quão incrível é a possibilidade ínfima da nossa existência no universo e como o fato de nós existirmos constitui o maior mistério e ao mesmo tempo o maior milagre que existe. Depois de dar uma olhadela nos anéis de saturno, nas crateras da lua e em alguma supernova tomaria um bom banho de cachoeira no caminho de volta para casa em Joaquim Egidio mesmo… continua…

Woodstock Music Bar
http://www.woodstockmusicbar.com/
Rua Erasmo Braga, 06 – Bonfim – Campinas/SP
Esquina com Av. Governador Pedro de Toledo
Em frente a praça Ópera Salvador Rosa

Jongo Dito Ribeiro
http://comunidadejongoditoribeiro.blogspot.com/
(o convite para a feijoada esta neste site)

Toca do Ursão
No DIC6 na Rua Nelson Barbosa da Silva, 51 – Dic 6 – Campinas/SP
Ao lado da Sanasa

Pride Club
http://www.prideclub.com.br/
Rua Francisco Teodoro, 374 – Vila Industrial – Campinas/SP

Base
http://www.baselounge.com.br/
Rua Oriente, 441 – Chácara da Barra – Campinas/SP

Observatório Municipal de Campinas
http://observatorio.campinas.sp.gov.br/observatorio.php
Saindo do centro de Campinas pela Av. Moraes Sales, siga sempre em frente em direção ao Distrito de Sousas, continuando até o Distrito de Joaquim Egídio.
Ainda em frente, você chegará a uma estrada asfaltada que o levará ao Observatório, sendo que os últimos 5 km são de terra. A cachoeira fica um pouco escondida mas é só se informar com alguém que se acha fácil.

Autor: Fernando Xavier Silva, 25 anos, estudante de Ciências Sociais na Unicamp.

Cidade Subsede da Copa do Mundo de Futebol de 2014

01/03/11

Lagoa do Taquaral. Campinas/SP. Foto: Arnaldo Silva.

Lagoa do Taquaral. Campinas/SP. Foto: Arnaldo Silva.

 

A Lagoa do Taquaral fede. A foto acima não sofreu nenhum tratamento via software e retrata exatamente o que vi e senti em um domingo desses ao caminhar por lá.

É lamentável que um dos cartões postais de Campinas esteja entregue ao acaso, totalmente abandonada, principalmente por estar pleiteando ser sub-sede de uma Copa do Mundo. Desde a eterna reforma na Caravela até os cuidados básicos para com um lugar que recebe inúmeros visitantes, é possível perceber que o poder publico deixou de se interessar por este lugar. Talvez nas próximas eleições retorne como pauta de algum político oportunista que apresente um projeto de recuperação para apenas conseguir votos.

Ou deixemos assim, pois como metrópole que somos, temos que ter a nossa versão interiorana do Rio Tietê…

 

Lagoa do Taquaral. Campinas/SP. Foto: Arnaldo Silva.

Lagoa do Taquaral. Campinas/SP. Foto: Arnaldo Silva.

Lagoa do Taquaral. Campinas/SP. Foto: Arnaldo Silva.

Lagoa do Taquaral. Campinas/SP. Foto: Arnaldo Silva.

Lagoa do Taquaral. Campinas/SP. Foto: Arnaldo Silva.

Lagoa do Taquaral. Campinas/SP. Foto: Arnaldo Silva.

Conheça Campinas…

25/02/11

Monumento túmulo de Carlos Gomes. Rua Barão de Jaguará, em Campinas. Foto: Arnaldo Silva.

Monumento túmulo de Carlos Gomes. Rua Barão de Jaguará, em Campinas. Foto: Arnaldo Silva.

 

Em férias, sempre visito algum lugar e sempre penso que estando em outra cidade, estado ou pais, nossa cidade é inevitavelmente comparada com a que onde estamos visitando. A limpeza das ruas, o transito, os restaurantes, o preço da passagem nos ônibus e os principais pontos turísticos são objetos de análise comparativa. Acredito ainda que poucas vezes percebemos a presença da nação ou pais e raríssimas a do estado ou província, mas a da cidade é constante, real, pois é efetivamente onde estamos.

Algumas cidades possuem City-Tours já consolidados, com apoio da prefeitura normalmente em parceria com empresas, seja em ônibus ou guias de agências. Toda cidade com vocação ao turismo, investe neste tipo de contemplação histórica, natural ou cultural, que rende visitas, fotos e dicas de viagens.

Embora a cidade de Campinas possua dezenas de atrações, gostaria de sua ajuda para compor um roteiro de visita para quem vem a nossa cidade. Exatamente! Imagine alguém fazendo um City Tour nesta cidade… onde o levaríamos? Quais lugares realmente seriam dignos de visita?
Pessoas que conheço de outros lugares, que nunca visitaram Campinas e que não conseguem imaginá-la por sites, questionam-me sobre o que tem em Campinas para ver e fazer… Um passeio na Lagoa do Taquaral? Um bolinho de bacalhau e uma cerveja no City Bar? Uma visita a Catedral Metropolitana? Um passeio pelo maior Shopping Center da América Latina? Conhecer o monumento tumulo de Carlos Gomes?

O que realmente caracteriza nossa cidade?

No site da prefeitura e outros existem diversos pontos culturais, históricos e naturais, mas entre dezenas, qual você considera imprescindível para alguém que venha, do sul ou do nordeste, ou ainda de outro pais, conhecer a cidade que moramos? De sua opinião! Envie sua foto…

Domingo no parque…

01/02/11

Parque Linear Capivari. Foto: Arnaldo Silva.

Parque Linear Capivari. Foto: Arnaldo Silva.

Nota-se facilmente mediante uma simples observação nas ruas da periferia de Campinas, que o numero de academias, pistas de corrida, de skate, aparelhos de ginástica públicos e cooper em calçadas cresceram,  nota-se também que um maior numero de pessoas está cuidando de sua saúde de forma que (explicações sociológicas à parte como a diminuição da jornada de trabalho, cobrança estética pelos padrões socialmente construídos e a maior divulgação -e maior incidência- das doenças relacionadas a obesidade e sedentarismo) surgiram desde então, para suprir esta demanda, espaços públicos institucionalizados ou não de praticas de lazer, ou seja, alguns deles criados pelo poder publico e outros pela população.

Nota-se ainda a criação de espaços alternativos de reunião sem fins pactuados abertamente, criados quase espontaneamente. O Parque Linear Capivari é um exemplo desses dois fatos.

Parque Linear Capivari. Foto: Arnaldo Silva.

Parque Linear Capivari. Foto: Arnaldo Silva.

Reformado há dois anos pela iniciativa publica, tornou- se nos fins de semanas um espaço de reunião dos mais freqüentados, com inúmeros carros de som, barracas de alimentação (hot dogs, lanches) e uma mistura de gerações. Alterna-se assim, ou mesclam-se as formas de utilização, ora como um espaço de prática de exercícios físicos durante a semana ora (nos domingos) como  um espaço onde se estabeleceu um ponto de encontro dos moradores da região próxima ao Parque Linear.  

Há muitos lugares assim em Campinas, os quais apresentam muitos pontos em comum: musica alta, em geral, funk, música eletrônica, que são proporcionadas por carros com equipamentos de som apropriados e talvez adquiridos somente para estas ocasiões.

Parque Linear Capivari. Foto: Arnaldo Silva.

Parque Linear Capivari. Foto: Arnaldo Silva.

Nesses lugares também verifica-se um número relativamente baixo de casais e alto de grupos de mulheres e grupos de homens separados. Mais um ponto em comum é o consumismo de lanches, pizzas e hot dogs, e ainda bebidas alcoólicas.

Exemplos de lugares utilizados para esse fim em Campinas: Av. Ruy Rodrigues, postos de gasolina da Av. John Boyd Dunlop, Av. Suaçuna, Dic VI, Av. Norte Sul no centro de Campinas. No entanto, apesar das praticas similares, das ações na grande maioria das vezes corresponderem a formula citada anteriormente, som-consumo-mulheres-homens*, é a primeira vez que observo um lugar que mescla esses dois fatores conflitantes da vivencia cotidiana: o consumo irracional (não no sentido pejorativo, mas no de  usufruir daquilo que o mercado oferece sem se utilizar do calculo racional em beneficio da saúde, como por exemplo consumir menos gordura, menos bebidas alcoólicas, som mais baixo para não causar danos a audição; e por outro lado um lugar de pratica de esportes, onde podemos encontrar um publico heterogêneo com relação a idade, e com relação ao porte físico, pois há pessoas que claramente buscam superar a obesidade e o sedentarismo como atletas que parecem se preparar para corridas profissionais.

Parque Linear Capivari. Foto: Arnaldo Silva.

Parque Linear Capivari. Foto: Arnaldo Silva.

Há também uma pista de skate que reúne centenas de jovens.O parque Linear é um bom exemplo de espaço publico bem utilizado, e uma prova maior de que a modernidade está descentralizando cada vez mais seus espaços de  experiências de vida. Pouco tempo atrás o trabalho ocupava inteiramente esse espaço, servindo de referencia para a maior parte das experiências de vida, sendo que o lazer passivo como assistir televisão, ou jogar vídeo game cuidavam de eliminar o estresse trazido do trabalho para casa.

Parque Linear Capivari. Foto: Arnaldo Silva.

Parque Linear Capivari. Foto: Arnaldo Silva.

Não obstante, a venda de aparelhos de ginástica, suplementos como proteínas e carboidratos específicos para quem pratica exercícios regularmente, acessórios como tênis e bicicletas aumentaram. Os espaços que propiciam essas praticas também estão aumentando, um parque similar ao Parque Linear está para ser inaugurado na região dos Dics. Cabe a população se apropriar desses espaços significando e resignificando-os como fez com o Parque Linear dando uma importância cabal de espaço onde as relações humanas e consequentemente as mudanças decorridas dessas relações acontecem.

Parque Linear Capivari. Foto: Arnaldo Silva.

Parque Linear Capivari. Foto: Arnaldo Silva.

 

* Deixa-se de lado em decorrência do limite desse artigo, os fatores antropológicos mais importantes que explicariam a busca de um parceiro ou uma parceira sexual, a manutenção ou conquista de status, a significação dos próprios freqüentadores ao que o espaço corresponde no seu emaranhado de significações.

Autor: Fernando Xavier Silva, 25 anos, estudande de Sociologia na Unicamp.

Pedaço do meu Diário…

27/01/11

Viaduto São Paulo (Elevado Laurão) – Campinas/SP. Foto: Roberta Barbisan.

Viaduto São Paulo (Elevado Laurão) – Campinas/SP. Foto: Roberta Barbisan.

 

É tarde da noite e eu estou sob o viaduto do Laurão. O sinal esta vermelho impedindo que eu prossiga. Pus calmamente as duas mãos no volante a espera da abertura do sinal. A transição entre o vermelho e o verde, depende do amarelo ao lado. Em cima, carros apressados levando pessoas para quem sabe algum shopping. Todos a procura de algo, de coisas, de gente…

Meus pensamentos me levam a tentar compreender esta cidade a partir dos seus moradores. Eles fluem livres dentro de uma mente as vezes observadora e outras vezes abstrata, enquanto os carros e motos passam na minha frente. Alguns lugares desta cidade permitem essa abstração…

Ali do lado direito, já levei uma multa de um amarelinho escondido estrategicamente ao lado de uma das colunas deste viaduto. Comprei meu primeiro charuto hondurenho naquela banca de revistas ali em frente. Vi algumas inundações daqui pela televisão, mas também vi os enfeites de natal do ano passado e várias vitórias do Guarani, serem comemoradas por seus torcedores.

As vezes experimento idéias, como se fossem roupas, como se precisasse  me apoderar de algo, de algum sentido do que todas essas pessoas procuram. Observo as pessoas como se pudesse defini-las. Uns desnude filosófico totalmente isento…

Depois de tanta chuva, a cidade esta linda hoje a noite todinha feita de luzes, sombras e sons. O sinal abriu… estou livre novamente! De mim, de você, dos meus pensamentos, do tempo de espera…

Feira do Rolo

24/01/11

Centro de Tradições Nordestinas - Campinas/SP. Foto: Arnaldo Silva.

Centro de Tradições Nordestinas - Campinas/SP. Foto: Arnaldo Silva.

Campinas como toda grande cidade possui suas particularidades que devemos tentar descobrir. Atrás do SENAI da Av. Amoreiras, próximo ao Hospital Mario Gatti, no Centro de Tradições Nordestinas, todo domingo pela manhã ocorre a “Feira do Rolo” e neste ultimo fim de semana fui um dos visitantes desta mistura de comércio, turismo e lazer. Digo lazer porque as vezes apresenta-se bandas típicas nordestinas e turismo porque quem nunca visitou uma feira dedicada a trocas ou compras deve fazê-lo ao menos por curiosidade. Visitei feiras assim em Fortaleza, Londrina, Cochabamba, mas gostei mesmo da campineira!

Impossível não encontrar algo que você fique impassível, mesmo que seja apenas para se questionar “Meu Deus! Minha mãe tinha isso em casa…”, pois afinal ali se vende e troca-se de tudo o que você pode imaginar.

Estima-se que passem por essa tradicional feira cerca de 10 mil pessoas por domingo! Na feira os ambulantes são cadastrados e teoricamente devem vender ou trocar produtos lícitos. Mas, é obvio que devido a extinção gradual do emprego formal o aumento do comercio informal seja inevitável, ofertando conseqüentemente produtos oriundos de uma economia subterrânea.

A feira, embora tenha um apelo à cultura nordestina, pode também ser vista como um grande camelódromo… Coleciono discos de vinil e às vezes tento garimpar nas “bancas” de produtos espalhados no chão um Roberto Carlos, Raul Seixas ou quem sabe com um pouco de sorte um Chico Buarque.

Acorde cedo e veja um pouquinho do Brasil aqui bem pertinho de nós… há estacionamento, comidas típicas nordestinas como a tapioca ou biju, além do tradicionalíssimo “pastel de feira“ e muito, mas muito CD e DVD pirata, o que convencionalmente deve ser evitado, pois não devemos alimentar a indústria da concorrência desleal! Rs

Desencanto…

20/01/11

Engenho Fazenda Mato Dentro. Foto: Arnaldo Silva.

Engenho Fazenda Mato Dentro. Foto: Arnaldo Silva.

 

Há muito tempo dava aulas de Perseverança Cristã em uma Igreja da Comunidade do Jardim São Gabriel, em Campinas. Um dia resolvi levar meus alunos para conhecerem o Parque Ecológico.

Foi uma grande festa! Fizemos um piquenique coletivo na grama e cada um leu um trecho de uma poesia. Depois passeamos de bicicleta por quase todo o parque. Visitamos o Casarão e podemos perceber efetivamente como era uma fazenda na Campinas de outrora. Os livros escolares tornaram-se reais nos porões da grande casa.

O melhor desse tempo não esta nas dezenas de fotos que tiramos durante essa visita, mas na minha lembrança, nos sorrisos das crianças que não saiam muito do seu bairro e jamais haviam tido um contato tão próximo com a historia da cidade ou poesia. Foi encantador…

Este ultimo sábado, resolvi visitar novamente o Parque Ecológico Monsenhor Emílio José Salim e percebi a carência de cuidados, como muita coisa em Campinas. O silêncio assustador do local um pouco deserto, quase sem vida, me fez ficar em duvida se o lugar que estive no passado seria realmente aquele ou outro preso em uma realidade paralela no meu passado, tal o desencanto causado por uma falta de zelo para com o que aquilo representa.

E eu achando que poderia trocar meu ontem por um hoje qualquer. Como um dos meus alunos declamou do grande Quintana: “Nunca dês um nome a um rio: Sempre é outro rio a passar. Nada jamais continua, Tudo vai recomeçar. Espero… rs Mas, ainda é um lugar excelente para boas fotos! Quando puder visite-o…

 

Engenho Fazenda Mato Dentro. Foto: Arnaldo Silva.

Engenho Fazenda Mato Dentro. Foto: Arnaldo Silva.